quinta-feira, 26 de julho de 2012

"URUBOLOGIAS" INTELECTUAIS


Por Alexandre Figueiredo

Queremos uma cultura brasileira mais humana, mais digna e em perfeita harmonia e diálogo com as tradições culturais. Mas, pensando assim, somos "preconceituosos", "elitistas", "intolerantes", "puristas".

Quem lê este blogue sabe o quanto parte da intelectualidade engana a opinião pública diluindo em discurso pseudo-progressista visões conservadoras que só defendem o mercado da cafonice e do mau gosto que alimentam um poderoso mercado midiático, apoiado abertamente pelo latifúndio e pelas elites capitalistas.

Mas quem não lê leva gato por lebre, inadvertida das armadilhas discursivas que estão por trás. Pregações cheias de inverdades, delírios, apelos publicitários, ou mesmo mentiras descaradas, tudo isso diluído num repertório discursivo cheio de referências contraditórias, numa gororoba de palavras, nomes, ideias em que o sentido não precisa ser dado de forma clara, a visibilidade de quem diz é que garante o sucesso.

Não pense, meu caro amigo. Não faça seu fórum de debates. Apenas se sente na plateia feito um bom menino e ouça gente como Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos e companhia prometerem que o brega trará o Eldorado para a nação brasileira. Sua missão é apenas aplaudir feito foca de circo e depois endossar todas as inverdades e mentiras que aprendeu em suas palestras.

É estarrecedora a influência desses "pensadores" na opinião pública média de esquerda. E muita gente, feliz da vida, acaba embolando as coisas, creditando ídolos inofensivos como Wando e José Augusto como "rebeldes bolivarianos". E quem criticar tudo isso vira "purista", "preconceituoso", "elitista", para não dizer coisas piores.

Nenhum deles se contrapõe, a sério, à velha grande mídia. Desde que Gaby Amarantos virou estrela da Rede Globo, Pedro Sanches já nem fala mais contra a "velha mídia". No fundo, nunca se opôs a ela. Como um "agente da Folha" infiltrado na mídia esquerdista, Sanches apenas cumpriu o papel de pregar o conservadorismo cultural que aprendeu com o patrão-colega Otávio Frias Filho.

Esses intelectuais, inclusive um Paulo César Araújo convertido num "semideus", cometem "urubologias" tão graves quanto os comentaristas políticos. As frutas não caem longe das árvores, todos eles têm o mesmo reacionarismo que se vê num Pedro Bial ou Marcelo Tas, estendido ao âmbito cultural.

Esses intelectuais que defendem o brega e seus derivados apenas seguem um protocolo que os impede de adotar claramente a mesma postura de seus colegas da editoria política. Precisam adotar um discurso mais "positivo", falando em "transformações culturais", bajulando as classes populares etc. Evitam criticar intelectuais que no fundo discordam completamente, como Emir Sader, mas fazem falsos ataques a gente mais afim, como Eliane Cantanhede.

Isso faz uma diferença aparente entre uma jornalista que fala sobre as "mulheres-frutas" e a outra que apenas baixa a lenha no ensino público. Ou entre o mau humor explícito de um Reinaldo Azevedo, que parece anunciar o fim do mundo, e o bom humor de Pedro Alexandre Sanches, que apenas anuncia o "fim da História" para a MPB.

Mas nada que Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso não sejam capazes de escrever. Eles são também dotados de um discurso "otimista". José Serra é que faz um discurso mais mal humorado, assim como Geraldo Alckmin. FHC, com suas "urubologias", parece mais calmo e cordato, como um catedrático.

Junta-se as pregações neoliberais de FHC e os delírios pós-modernos de Caetano Veloso e temos essa intelectualidade que o leitor médio pensa ser "de esquerda". PAS na Caros Amigos é FHC em Paris, numa pose pseudo-esquerdista de vitrine, para seduzir plateias desinformadas.

Esses "pensadores" que se dizem "acima do bem e do mal" não querem as verdadeiras melhorias na cultura popular. Não querem que o povo pobre volte e ter para si sambas, baiões, maracatus, modinhas, cateretês e tudo o mais, e renove a partir daí. O povo pobre é obrigado a pegar o engodo despejado pelo rádio, "criar" suas mediocridades artísticas como quem junta peças importadas para montar um automóvel e nos é que temos que aceitar isso como "o novo folclore brasileiro".

E muita gente aplaude tais intelectuais que impõem essa visão, como se fosse "progressista". Mas o pior é que eles fazem "urubologias" lamentáveis, chamando de "preconceituosos" quem quer melhorias reais na nossa cultura. Melhorias que o brega e seus derivados - inclusive o "funk carioca" - nunca irão garantir, porque são meramente mercadológicos e comprometidos com a degradação sócio-cultural.

Não dá para vender o "mau gosto" como se fosse uma causa nobre, a título de argumentações pseudo-modernistas. As mentiras e inverdades usadas fazem a festa da intelectualidade porque as plateias são desinformadas do que está por trás disso.

Só que, na medida em que as informações antes ocultas se revelam mais e mais, essa intelectualidade é desmascarada. No fundo, elas apenas querem reafirmar o que o mercado e a velha grande mídia sempre impuseram para o povo pobre ou mesmo para a "nova classe C", que é a mediocrização que imobiliza o povo e garante o poder das oligarquias.

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