sexta-feira, 20 de julho de 2012

SOLTEIRICE DE FAMOSAS INDICA DECADÊNCIA DA "CULTURA DO MAU GOSTO"


Por Alexandre Figueiredo

Comparemos as listas de famosas comprometidas e famosas solteiras das últimas semanas.

De um lado, temos a cantora brega Gretchen, a paniquete Sabrina Sato, Geisy Arruda, as ex-BBB Maíra Cardi e Íris Stefanelli, a cantora de axé-music Alinne Rosa, a paraguaia Larissa Riquelme, fora outras paniquetes, musas do Brasileirão ou garotas da laje, que afirmam estar sem namorados.

De outro, porém, vemos as atrizes Milena Toscano, Carol Castro, Bárbara Borges e Natália Rodrigues com seus namorados. Juliana Knust oficializou sua união com um ex-estilista de moda e Bianca Rinaldi fará nova viagem de "lua de mel" com seu marido mais velho.

Enquanto se veiculam fantasias e inverdades até no censo do IBGE, e na velha mídia - que jura que as mulheres consideradas mais inteligentes têm "mais dificuldade" de arrumar namorados - , a prática mostra, porém, que a "mulherada" que sobra no "mercado" é, salvo honrosas exceções, de mulheres relacionadas de uma forma ou de outra com a hegemônica "cultura de mau gosto" que impera no entretenimento brasileiro.

Das mulheres-frutas, não se pode falar muito. Desde que, nos últimos meses, se revelou que muitas dessas "musas" funqueiras, na verdade, possuem namorados ou maridos, por mais que vendam a imagem de "solteiríssimas", o crédito delas caiu abaixo, passando o nicho a ser comandado pelas paniquetes. Ainda assim, muitas funqueiras, ainda que casadas, são ainda oficialmente tidas como "solteiras" e continuam aparecendo na mídia sozinhas, enquanto seus maridos seguem isolados em algum canto do país.

Em todo caso, isso mostra o quanto mulheres que se comprometem a seguir ou apreciar valores do grotesco, ou mesmo a pieguice de outras expressões da "cafonália" dominante, ficam em baixa no "mercado" da vida amorosa. E indica a péssima formação que muitas dessas mulheres, em maioria nascidas nos anos 80, principalmente através do sensacionalismo da mídia popularesca nos anos 90.

Na verdade, para essas solteiras não faltam pretendentes. Eles existem, e muito. Mas há uma "gíria", uma maneira de dizer de muitas mulheres na vida noturna, endossadas pelas musas popularescas, de que os homens que não as agradam "não são homens". Uma senha para legitimar o mito do "Brasil mulher" através do lazer noturno.

São mulheres que, em eventos como micaretas e vaquejadas, são constantemente assediadas por homens. No entanto, elas mesmas inventam que os homens "têm medo delas", quando na verdade elas é que dão o "fora" neles. Isso sugere uma reflexão mais cautelosa, antes que alguém diga que "a mulherada está solta na 'náite'".

Afinal, muitas dessas mulheres sempre namoraram homens que variavam entre os mais durões e os mais "bonitinhos e sarados". Quando elas passam a se interessar por homens de um perfil mais diferenciado, geralmente com aparência de "bons meninos" e vida mais pacata, é tarde demais.

Pois os chamados "caras legais" é que rejeitam essas mulheres que simbolizam, de uma forma ou outra, valores cafonas, sejam eles grotescos ou piegas, que esses rapazes não se identificam. E mostra o quanto o "mau gosto", do contrário que pregam certos artistas, celebridades e intelectuais, não está em alta.

Se estivesse em alta, as paniquetes estariam sendo disputadas por vários tipos de homens. As ex-BBBs engatariam um namoro atrás de outro e qualquer morena da laje estaria muito bem casada. Mas nota-se que elas, tidas pela velha mídia como "as mais desejadas", são as que na verdade se tornam menos desejadas pelos homens.

Mas a cafonice cultural virou um beco sem saída. Chega a um ponto em que tudo se satura, e o que parecia ser "o máximo" acaba tendo uma péssima reputação. As musas que se associam à cafonice e, em muitos casos, se "mostram demais", depois querem se interessar por rapazes mais simples, que no entanto, discordam completamente de todo esse cenário sócio-cultural a que elas estão associadas.

Portanto, não serão os sósias de Harry Potter ou de Lewis Skolnick que salvarão essas musas popularescas da vulgaridade e do sensacionalismo a que estão associadas. Melhor que elas procurem os "melhorzinhos" entre os mesmos homens durões ou sarados que costumam conquistar. Esperar um "príncipe encantado" de óculos quebrados e tomando bebida láctea pelo canudinho é sonhar demais, nesse contexto em que tais mulheres se encontram atoladas no "mau gosto" de micaretas, vaquejadas, "bailes funk", lutas de MMA etc.

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