terça-feira, 31 de julho de 2012

SEM QUERER, GLOBO AGRAVA CRISE DA REVISTA VEJA


Por Alexandre Figueiredo

Há poucos dias, parecia ser fogo de palha a denúncia de que Veja fazia "parcerias" com o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira para desmoralizar desafetos ou para beneficiar aliados.

Parecia que os chefões da famigerada revista do Grupo Abril esperavam vencer seus denunciadores pelo cansaço, com a exploração confusa da CPI do Cachoeira, concentrada demais em alguns envolvidos (Demóstenes Torres e Marconi Perillo) e condescendente com outros (como o governador fluminense Sérgio Cabral Filho).

Mas foi a mulher do próprio Cachoeira, Andressa Mendonça - que havia sido esposa do substituto de Demóstenes Torres no Senado, Wilder Morais - que, ameaçando um juiz, declarou que o marido iria acionar o editor-chefe da sucursal brasiliense de Veja, Policarpo Júnior, para montar reportagens contra o juíz. É o denuncismo de Veja a serviço da calúnia e da "lavagem de roupa suja em esgoto".

E a informação acabou sendo dada pelo portal G1, das Organizações Globo, então severa protetora dos interesses do amigo dos irmãos Marinho, Roberto Civita, da mesma forma que o "doutor" Roberto Marinho era muito amigo de Victor Civita, sobretudo na defesa do golpe militar de 1964.

Pois o incidente soa estranho, e Veja retirou de seu portal um vídeo com um ator da Rede Globo, Caio Blat - que no entanto é marido de uma atriz que havia trabalhado na Rede Record (atualmente Maria Ribeiro se concentra no cinema) - que, estreando como cineasta, fez críticas ao monopólio da Globo Filmes no mercado cinematográfico brasileiro.

E isso cai como uma bomba quando outra CPI está sob a vigilância da grande mídia, a do "Mensalão", sobretudo pela ganância de explorar levianamente os erros cometidos pelo então chefe do Gabinete Civil do governo Lula, José Dirceu, que a grande imprensa não se satisfaz em criticar, sendo capaz de desmoralizar Dirceu até quando ele vai beber água em um bebedouro.

Pois a ameaça da senhora Cachoeira - que ficou presa e, solta sob fiança, aparentemente está proibida de se comunicar com o próprio marido - faz com que voltem as nuvens cinzas que pairavam sobre o prédio da Editora Abril e sobre a cabeça de seu poderoso chefão.

Correu até boato de que Roberto Civita estava com câncer, na desesperada tentativa de evitar sua convocação à CPI. A ameaça dele ter que falar sobre as atividades ilegais de Veja, juntamente com seu pupilo Policarpo Júnior, voltou à tona quando parecia tornar-se um assunto secundário ou uma "necessidade sem muita importância".

E desta vez foi um veículo aliado que divulgou a notícia. O que mostra o quanto a velha grande mídia às vezes se atrapalha. Chega um ponto em que não dá para esconder, e espera-se que Veja, a decadente revista do Grupo Abril, seja devidamente denunciada, porque, mais do que um periódico conservador e reacionário, é também um veículo desonesto, antiprofissional, mentiroso e irresponsável. Portanto, uma revista tão ruim que dá pena até usá-la para embalar peixes e carnes no comércio.

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