domingo, 8 de julho de 2012

PRÓ-BREGAS NÃO SE INCOMODAM COM VELHA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

O discurso é persuasivo. Bastante emotivo, também é muito sedutor. Muita choradeira nos argumentos, defendendo nomes que fazem sucessos nas rádios e na televisão mais comerciais, mas fingindo que esse sucesso nunca acontece.

É assim com aqueles que defendem a música brega, sobretudo intelectuais. A choradeira contradiz com o fato de que se tratam de campeões de vendas e de audiências, tratando-os como "vítimas de preconceitos" e gente em "busca de um espaço nobre na MPB". De preferência, um espaço que desaloje Chico Buarque, o casal Francis e Olívia Hime, Olívia Byington e outras pessoas "incômodas".

Nos últimos dez anos, foi esse o discurso que prevaleceu na opinião pública. Um discurso pretensioso, que não reconhece a música brega dentro de seus limites naturais de canção comercial, "cultura de massa" e entretenimento de consumo rápido e provisório. Muita choradeira é feita só para tentar fazer com que meros hitmakers sejam levados a sério, até demais.

O discurso, mesmo com ampla aceitação na velha grande mídia, ainda tenta fazer proselitismo na mídia esquerdista. Não fosse suficiente o pretensiosismo de transformar os meros hitmakers do brega-popularesco em "artistas sérios", eles ainda são, neste caso, promovidos a "líderes de uma rebelião popular". É claro que é ridículo tratar o cantor José Augusto ("Então aguenta coraçããããoooo...") como se fosse um líder neozapatista, mas, pasmem, a intelectualidade faz isso e arranca aplausos da plateia desavisada.

Mas esse discurso tem limites. Afinal, os intelectuais tentam, na sua choradeira em palestras lotadas, dizer que o brega-popularesco que está dentro da velha grande mídia sofre de "discriminação" e "falta de espaço" na mesma velha grande mídia. Tentam desmentir o óbvio, e muita gente acredita. Afinal, é gente mais jovem, sem acesso a referenciais mais antigos, o que Pedro Alexandre Sanches acha ótimo, porque sem os "preconceitos dos mais velhos" essa juventude é perfeita massa de manobras para seu discuso publicitário.

Os limites desse discurso, apesar da quase unanimidade que se tentou exercer sobre a opinião pública de esquerda - pelo menos a parte mediana, que possui um nível de desconfiômetro mais precário - , são muito claros para que eles se equiparem, para valer, à lucidez de um Emir Sader e Venício Artur de Lima, que realmente pensam a cultura sob um ponto de vista de esquerda.

Por isso, os defensores do "funk carioca", do tecnobrega, do breganejo e outros ritmos bregas originais ou derivados não depreciam, pra valer, os abusos da velha grande mídia. Alguns pontos que eles não conseguem esconder direito:

1) SÃO CONTRA A REGULAÇÃO DA MÍDIA - Eles dizem ser completamente a favor, falam em "defesa democrática da cidadania" e tudo o mais. Vão para o Twitter parabenizar Emir Sader, e até ensaiam falsos sorrisos e aplausos forçados quando veem um discurso de Venício A. de Lima. Fazem isso acreditando que tudo não vai passar de letra morta, porque eles sabem muito bem que a regulação midiática vai contra seus interesses de mercado.

2) NÃO SE INCOMODAM SEQUER COM A REVISTA VEJA - Tudo o que lhes vier é lucro, e se o tecnobrega ganha cartaz na revista Veja, eles comemoram. Seu esquerdismo de fachada cai por terra, vendo que eles ficam felizes quando uma revista reacionária lhes serve para divulgação de trabalho.

3) SE ENTROSAM PERFEITAMENTE COM GLOBO E FOLHA - As alianças dos defensores do brega-popularesco com as Organizações Globo e a Folha de São Paulo é tal que derruba por definitivo qualquer tese de que esses defensores odeiam a Globo e a Folha, como eventualmente aparece em seu discurso. O "funk carioca" e o breganejo são alguns dos estilos que usufruem bastante dessa aliança escancarada, enquanto tentam enganar a opinião pública dizendo que são rejeitados pela grande mídia.

4) REPROVAM A REFORMA AGRÁRIA - Como seu discurso age em "defesa" das classes populares, os defensores do brega-popularesco precisam dizer "sim" a toda causa que lhes soar progressista. Mas, no fundo, como defendem meramente o mercado (que eles juram estar "morto"), eles não podem se posicionar contra a concentração de terras que beneficia ídolos "pobrezinhos" como Bell Marques (Chiclete Com Banana) e Zezé di Camargo. Isso sem falar que o latifúndio, por si só, é patrocinador de muitos eventos envolvendo os ritmos "populares" de suas regiões, sobretudo breganejo e forró-brega.

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