domingo, 29 de julho de 2012

POVO VAI PARA AS RUAS NA CHINA E PRESSIONA GOVERNO


Por Alexandre Figueiredo

Não é surpresa que a China anda na dianteira na corrida dos antigos BRICs para o Primeiro Mundo. Não bastasse o desenvolvimento econômico, agora é a sociedade chinesa que começa a se mobilizar de forma intensa, sem medo de enfrentar um governo que, pelo menos até agora, se baseia numa política autoritária e tecnocrática.

Nos últimos dias, o povo chinês foi para as ruas protestar contra o projeto de um duto para dejetos industriais que causaria sérios danos ambientais. Os rios poderão ser poluídos com resíduos do material produzido por uma fábrica de papel.

Foram diversos protestos. A polícia tentou reprimir as manifestações, mas elas conseguiram fazer com que o projeto de duto fosse cancelado pelo governo chinês. A prefeitura da cidade de Nantong, onde seria construído o duto, já enviou um comunicado cancelando o duto.

A China tem um passado de projetos anti-ecológicos, como a inflexível política agrícola do governo de Mao Tsé Tung que, aliada a intempéries como a enchente do Rio Amarelo matou milhões de pessoas em 1960, provocando o que os historiadores chamam de época da Grande Fome.

Quanto ao autoritarismo político, a China, há 23 anos, tornou-se conhecida pelo massacre na praça Tian'amen (Paz Celestial), a repressão violenta a protestos estudantis que resultou em vários mortos e presos. Ultimamente, porém, a insatisfação popular contra o controle do Partido Comunista chinês tornou-se cada vez mais crescente.

Isso torna-se vergonhoso para o Brasil que, sem um governo autoritário há 27 anos, não possui manifestações de protesto de grande envergadura. Houve manifestações pontuais, como continua havendo, entre manifestações genuinamente sociais condenadas pela velha mídia, como as passeatas dos trabalhadores sem-terra, outras tendenciosas, como a exploração política das passeatas estudantis, e outras meramente festivas, como as "marchas da liberdade" e similares.

Até existem protestos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, projeto originado pela ditadura militar mas defendido pelo governo Dilma Rousseff. Só que também existiram protestos contra a transposição do Rio São Francisco, também sujeito a sérios danos ambientais, e o projeto foi adiante. A passividade popular dentro de uma falsa prosperidade do país faz com que poucos se indignem de verdade, quando muito reclamando das coisas pelas costas ou pelas contas do Facebook.

Belo Monte trará sérios danos ambientais e sócio-biológicos, se for construída. Mas, onde estão as passeatas? E ainda tem intelectual achando que ativismo social é dançar o "funk carioca", o tecnobrega e bancar o "coitadinho" nos palcos de programas da TV aberta. Assim o Brasil dificilmente irá se tornar uma potência como está se tornando a China.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...