segunda-feira, 9 de julho de 2012

PARA A REDE GLOBO, A DITADURA DE VARGAS COMEÇOU ANTES DO ESTADO NOVO


Por Alexandre Figueiredo

No Bom Dia Brasil, da Rede Globo, a emissora, como é de praxe, procura puxar a interpretação da História do Brasil para os seus interesses.

Na reportagem sobre os 60 anos da Revolta Constitucionalista de 1932, a ditadura que foi definida como Estado Novo, sem que este nome fosse creditado, foi "adiantada" de 1937 a 1932.

Aliás, a reportagem ainda considerou a Revolução de 1930 como um "golpe", lamentando a derrota do candidato dos barões da República Velha, Júlio Prestes, vencedor através da fraude eleitoral costumeira naqueles tempos.

É certo que o governo "provisório" de Getúlio Vargas tinha um quê de personalista, como em muitos governos considerados populistas. Mas ele havia feito a Revolução de 1930 visando derrubar todos aqueles paradigmas da República Velha, respaldados por uma política de "café-com-leite" que alternava oligarquias paulistas e mineiras no poder, através de um esquema eleitoral elitista e corrupto, onde nem mulheres participavam.

A atitude enérgica de Getúlio Vargas foi necessária neste sentido. Até porque a "nova política" das elites que tomaram o poder em 1889 - também através de um golpe - na verdade era de antigos escravistas descontentes com a Abolição promovida pelo Segundo Império. E que via nas novas elites cafeeiras - que, no que se diz ao status ruralista, era o "agronegócio" da época - um "moderno" grupo de poder decisório na política e economia brasileiras.

Só que essas "novas elites" promoveram a corrupção, a "cultura do cabresto", mostrando seu caráter coronelista, poucas décadas depois do termo ter sido originado pelo prêmio do título de "coronel" a proprietários de terras que contribuíram treinando soldados para a Guerra do Paraguai.

A Globo, rememorando a "revolução" de 1932 - que de "revolução" só tinha a pretensão das elites paulistas em reagir contra o governo nacionalista de Vargas - , tentou fazer crer que se tratava de uma "revolta democrática", mas em certo momento teve que admitir que as elites lideravam o movimento, a partir do depoimento da professora da USP, Ilka Stern Cohen.

Aliás, entre os combatentes de 1932 esteve até mesmo um membro da família Mesquita (Júlio de Mesquita Filho), a oligarquia que controla o jornal O Estado de São Paulo, que no tempo da vovó ainda não era apelidado de "Estadão", mas naqueles tempos já exercia o poder férreo da velha mídia paulista.

A revolta de 1932 teve apenas como um ponto indiscutivelmente positivo a pressão para uma nova Constituição. Ela viria dois anos depois, junto com as primeiras conquistas trabalhistas do governo Vargas. Mas Vargas errou ao criar uma ditadura, em 1937, chamada de Estado Novo, porque isso acabou criando condições para a reação oposicionista que, no governo democraticamente eleito do político gaúcho, criou uma violenta pressão política culminada pelo suicídio do presidente, em 1954.

As lições da revolta de 1932 mostram que São Paulo é um Estado conservador. E a cidade de São Paulo, maior cidade da América Latina, vive uma grande dicotomia entre o moderno e o arcaico, o cosmopolita e o provinciano, e hoje a cidade vive a hegemonia do grupo político do PSDB e da dissidência demotucana hoje vinculada ao PSD. Não mais o PSD que Ulisses Guimarães defendia há mais de 50 anos em São Paulo, mas o PSD "ressuscitado" pelas pretensões fisiológicas de Gilberto Kassab.

O atual PSD poderá, aliás, em breve formar uma nova política de "café-com-leite" com o PMDB, não mais alternando necessariamente mineiros e paulistas, mas fisiologistas "tradicionais" (PSD) e "modernos" (PMDB).


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