sábado, 14 de julho de 2012

A MÍDIA TEM FOBIA DA CPI DO CACHOEIRA


Por Alexandre Figueiredo

A velha grande mídia sempre apitou na torcida pelo fracasso da CPI do Cachoeira. E sempre usou a CPI do Mensalão como pretexto para desqualificar a investigação sobre o esquema do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira.

Quando muito, a mídia e seus comentaristas políticos se limitavam a admitir o envolvimento de Demóstenes Torres e Marconi Perillo, e tiveram que aceitar a cassação do primeiro como um anel valioso que estava apertando os dedos.

Claro, os comentaristas não engoliram o fato de que Demóstenes Torres, o ex-senador goiano que vendia a falsa imagem de "cavaleiro da ética", tenha tido relações íntimas e de grande cumplicidade com o bicheiro goiano.

Agora, as relações de Demóstenes com Cachoeira se ampliam com a descoberta de que seu suplente, o empresário Wilder Pedro de Morais, é ex-marido da atual mulher do bicheiro, Andressa Mendonça. A coincidência poderia ficar por aí, não fosse o fato de Cachoeira ter ajudado Wilder na sua ascensão política.

Ou seja, sujeira atrás de sujeira. E o DEM, já abatido pelas encrencas de seus políticos, e enfraquecido pela debandada de outros tantos - sobretudo migrando para o PSD "ressuscitado" por Gilberto Kassab - , já começa a se preocupar mais e mais com a situação.

A grande mídia, então, está mais preocupada ainda. A CPI do Cachoeira prometia ser a investigação não dos sonhos, mas dos pesadelos das elites políticas envolvidas. Sérgio Cabral Filho, amigo de Fernando Cavendish, da Delta Construtora, de notórias relações com Cachoeira, foi dispensado de depor na CPI, não porque o governador fluminense não tinha o que depor (pelo contrário, tinha, e muito), mas porque era o animador principal da Rio+20, o anfitrião da festa não deveria ficar sob investigação.

Quanto a outros envolvidos, o medo maior está na CPI chegar aos pés não só do chefe da sucursal brasiliense da revista Veja, Policarpo Júnior, mas aos pescoços de Roberto Civita, o chefão maior do Grupo Abril. Pode ser que manobras políticas empurrem a CPI com a barriga e evitem que ela se transforme na CPI da Mídia.

Esse é o maior medo da velha mídia. O medo de que os rumos da CPI possam atingir os círculos da mídia. Daí Reinaldo Azevedo, com a maior fúria possível, escrever um artigo, irritadíssimo como Carlos Lacerda não faria em seus piores momentos, desmentindo o envolvimento de Veja com Cachoeira.

Imagine o "querido" Roberto Civita como réu na CPI. Imagine o canal Globo News transmitir, ao vivo, o depoimento do chefão da Abril, com a cara um tanto aflita, outro tanto nervosa, respondendo as perguntas dos parlamentares. Os comentaristas da velha grande mídia vão ficar em clima de luto.

Quando José Serra foi derrotado pelas eleições presidenciais, a comentarista da Globo News, Cristiana Lobo, fez cara de choro ao comentar os primeiros resultados. Merval Pereira, por sua vez, mostrava seu mau humor evidente. Imagine como reagiriam eles se Roberto Civita, amigo dos irmãos Marinho, ser "humilhado" na Comissão Parlamentar de Inquérito?

Reinaldo Azevedo, então, se tornaria insociável, nem sua empregada arriscaria a oferecer, por exemplo, um café frio e ralo para o patrão. Ele estaria pior do que o Incrível Hulk da história em quadrinhos, tão furioso de ver seu "patrão-colega" ser assim tão "desmoralizado".

Mas como os círculos do poder têm suas manobras, a CPI do Cachoeira infelizmente se enfraquece. Acabará se limitando à cassação de Demóstenes, só para "mostrar serviço". E Demóstenes, saindo, ainda deixou o esquema de Cachoeira intato, porque o ex-marido de Andressa Mendonça tem boas relações com o atual marido dela. Tanto que a gente até fica perguntando: ser ex-marido também é ser parente?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...