segunda-feira, 23 de julho de 2012

JORNAL MEIA HORA "PASSA RECIBO" PARA HEATH LEDGER NO ATENTADO EM CINEMA


Por Alexandre Figueiredo

A imprensa jagunça faz das suas e, em nome do sensacionalismo, chega ao ponto de fazer brincadeiras maldosas com gente falecida.

Em manchete da edição de ontem, o jornal Meia Hora - o "divertido" veículo da imprensa "popular" que só os desinformados podem comparar aos históricos Última Hora e Pasquim - fez uma verdadeira gozação com a memória do talentoso ator Heath Ledger, falecido em janeiro de 2008.

A manchete em questão se deu com as seguintes palavras: "Atirador de cinema teria sido assombrado pelo espírito do ator que fez o ‘Coringa’ no filme".Visando o trocadilho engraçadinho, a reporcagem usava como pretexto o fato de que o atirador, James Holmes, que foi preso, ter dito que "era o Coringa", antes de atirar a esmo, deixando doze vítimas fatais e vários feridos.

O fato foi na última sexta-feira, dia da estreia, no cinema Century, em Denver, no Estado de Colorado, nos EUA, do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises), a 32 km de Columbine, onde, em 1999, ocorreu um massacre numa escola, assunto que rendeu até documentário, feito por Michael Moore, Tiros em Columbine (Bowling for Columbine), de 2002.

Ledger havia completado as gravações no papel de Coringa, para o filme anterior da mesma franquia de Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), que só foi lançado meses depois do falecimento do jovem ator. Bastante talentoso, Ledger já era conhecido pela sua participação no filme O Segredo de Brokeback Mountain, de 2005.

Portanto, é de muito mau gosto que os jocosos jornalistas de Meia Hora - que, infelizmente não é considerada parte da velha grande mídia pela opinião pública média de esquerda - tenham "passado o recibo", ou seja, jogado a culpa do tal atentado ao pobre ator, não bastasse o fato de que os médicos dos EUA, a pretexto de venderem mais remédios, chegam a recomendar altas doses para seus pacientes.

E Heath Ledger, a exemplo da doce e igualmente talentosa Brittany Murphy, foi vítima desse consumismo farmacêutico, e ambos acabam vítimas do sensacionalismo midiático mais abjeto. Heath, vítima desse bullying jornalístico de Meia Hora, jornal que é dos mesmos donos do jornal O Dia (que todo domingo encarta a revista Veja numa promoção de parte de seus exemplares).

Brittany, por enquanto, foi apenas vítima do sensacionalismo da imprensa estrangeira, mais preocupada em saber as causas de sua tragédia (em 20 de dezembro de 2009) do que os esforços que ela teve para se manter ativa e provar seu talento. Consta-se que ela havia tomado muitos remédios e se deixado adoecer por anemia, pneumonia e inalação de mofo tóxico por estar deprimida por acusações levianas de produtores da sequência de Happy Feet, filme de animação cuja primeira produção teve a atriz como dubladora.

Mas imagine então se uma jovem moça da Baixada Fluminense, depois que ganha na loteria, gasta todo o dinheiro com roupas em um shopping da Barra da Tijuca e acaba contraindo sérias dívidas? Será que os editores de Meia Hora irão acusar a pobre Brittany por ter amaldiçoado a garota suburbana pelo consumismo exagerado, a pretexto de Brittany ter feito a Tai Frasier, a mais modesta das três garotas de As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless)?

Pudera. Para o jornal Meia Hora, a "boa gente" é sempre a "multidão" de jogadores de futebol "pegadores" e "encrenqueiros", integrantes do Big Brother Brasil, musas "popozudas", cantores de sambrega e "funk carioca". O jornal vê como "exemplos de vida" para as classes populares homens que se esbaldam em noitadas embriagantes e mulheres que, sem ter o que dizer, "mostram demais" seus corpos inflados pelo silicone.

Para quem usurpa a memória de Heath Ledger ao citar um atentado, dá para perceber a noção de "cidadania" desse jornal aberrante, que no fundo vê as classes populares com a mesma maneira preconceituosa dos "urubólogos" de Veja, só diferindo nos métodos de manipulação da opinião pública.

Mas, cá para nós, Mr. Catra e Valesca Popozuda são muito mais assustadores (além de horripilantes) do que os fantasmas de Heath Ledger e Brittany Murphy, espíritos que continuam merecendo uma grande admiração e respeito.

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