domingo, 22 de julho de 2012

INDICAÇÃO DO CONSELHO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL FOI FEITA ÀS ESCURAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O que é marginalizar o debate público pela "nossa querida" intelectualidade festiva (aquela que defende o brega a pretexto de salvar as classes populares). Permite que as classes populares, infantilizadas pelo entretenimento "popular", desconheçam todo o processo político por trás. A fachada "progressista" do Governo Federal não impediu que o Conselho de Comunicação Social nomeasse pessoas retrógradas, sob o pretexto da "imparcialidade". E quem acaba perdendo com isso é o povo brasileiro, e tudo fica na mesma.

Vale notar que um dos membros nomeados para o CCS é Gilberto Carlos Leifert (foto), diretor comercial da Globo, presidente do Conar e pai do apresentador esportivo Thiago Leifert.

Indicação do Conselho de Comunicação Social foi feita às escuras, é retrógrada e antidemocrática

Do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) publicou uma nota em repúdio ao processo antidemocrático de nomeação para o Conselho de Comunicação Social. A reativação do órgão auxiliar ao Parlamento, prevista na Constituição de 1988, se deu “às escuras”, bem como a divulgação da lista dos nomeados para compor o Conselho, de acordo com a entidade.

Além disso, o FNDC, que vem atuando intensamente em defesa dos interesses democráticos da sociedade civil no campo da comunicação, também afirmou que os nomes foram decididos sem diálogo com a sociedade, resultando em uma composição arbitrária e preconceituosa.

Confira a íntegra da nota.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) recebeu com surpresa a notícia da reativação do Conselho de Comunicação Social (CCS), e vem a público manifestar seu repúdio e indignação quanto à nomeação antidemocrática e preconceituosa realizada pelo Congresso Nacional.

A inclusão do Conselho de Comunicação na Constituição Federal de 1988 foi fruto tanto da luta política e da mobilização de diversos segmentos sociais quanto da articulação da sociedade com o Parlamento, fato que não se repetiu agora quando da composição do Conselho. Não houve diálogo sequer com a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação, subscrita por mais de 180 parlamentares, com forte representação da sociedade civil, que no ano passado encaminhou sugestões para a composição.

O CCS foi regulamentado em 1991, mas só teve sua primeira indicação em 2002, e estava parado desde 2006, numa interrupção ilegal e inconstitucional. Embora tenha caráter consultivo, ele pode cumprir papel importante de fomentar debates sobre os temas da comunicação social, e servir como impulso para o Congresso regulamentar os artigos constitucionais sobre comunicação que estão há 24 anos sem definição legal – como o que proíbe monopólios e oligopólios e o que aponta para a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal.

Contudo, as indicações realizadas na reativação do CCS foram completamente arbitrárias, sem diálogo com a sociedade civil organizada com atuação no campo, que foi atropelada justamente no momento em que busca contribuir com o avanço da democratização da comunicação e com a efetiva liberdade de expressão para todos e todas. A demonstração do nosso acúmulo e compromisso se dá cotidianamente para quem acompanha a pauta, e foi mais do que comprovada durante a I Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), realizada em 2009 e praticamente ignorada pelo Congresso Nacional, com honrosas exceções.

Nas vagas fixas reservadas a trabalhadores, foram mantidos representantes de entidades do movimento, como a Fenaj, mas a indicação dos radialistas se deu sem diálogo com a atual gestão da Fitert e a dos artistas privilegiou um único sindicato, com forte ligação com o setor patronal, em detrimento da associação nacional.

Já nas indicações das cadeiras da sociedade civil foram privilegiados setores conservadores (inclusive empresários do setor) e ligados às igrejas, com claro favorecimento a cidadãos com relações pessoais com o presidente do Congresso Nacional. A exceção positiva foi a indicação de pessoas com ligação com a pauta da cultura digital, que ainda assim não contempla as perspectivas do movimento pela democratização da comunicação.

Além destas incoerências, é grave a constatação de que todos os 13 nomes indicados para a titularidade da representação são de homens, desprezando a diversidade e a pluralidade da sociedade ao alijar completamente a participação feminina, algo inadmissível para a construção de uma sociedade democrática.

Um Conselho que deveria servir para auxiliar o Parlamento, e que reúne entre suas funções avaliar questões ligadas à liberdade de manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação, além de emitir pareceres e recomendações ligadas à produção e programação de emissoras de rádio e televisão, não deve – e não pode jamais – prescindir da participação de uma representação coerente da sociedade civil à altura de tão complexas e estratégicas responsabilidades.

Conclamamos os nobres parlamentares a desfazerem esse grave erro e reabrirem o diálogo. Este tipo de prática arbitrária afronta os direitos do povo brasileiro e afeta o caráter democrático do Conselho.

FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

PS do Viomundo: Entre os 13 integrantes titulares estão dois executivos das organizações Globo: Gilberto Carlos Leifert, diretor comercial da emissora e presidente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e Alexandre Kruel Jobim, filho do ex-ministro Nelson Jobim e vice-presidente jurídico e de relações governamentais do grupo RBS, braço da Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Eles serão, respectivamente, os representantes de empresas de televisão e de imprensa escrita. Entre os representantes titulares da sociedade civil do conselho foram escolhidos nomes como os do arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta (leia-se CNBB), e de Fernando Cesar Mesquita, secretário de comunicação social do Senado.

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