quarta-feira, 18 de julho de 2012

"FUNK CARIOCA" NA CAMPANHA DE EDUARDO PAES


Por Alexandre Figueiredo

Depois que Caetano Veloso gravou o tema de campanha de Marcelo Freixo, em ritmo de "funk", bem ao gosto do político do PSOL - partido que tende a ser o PPS de amanhã - , o ritmo também conta com representantes na campanha do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, à reeleição.

Por enquanto, apenas nomes como MC Naldo - espécie de "genérico" de MC Leozinho - e MC Buchecha, mais MC Anitta são os nomes engajados na campanha. Mas, em outros momentos, a "cantora" Valesca Popozuda havia também cumprimentado o prefeito carioca em outras ocasiões. Mas no momento Valesca está "engajada" na procura de um travesti dançarino para a Gaiola das Popozudas.

O "jabá eleitoral" do "funk carioca" é um recurso usado pelo gênero no seu oportunismo desesperado. Cada vez mais desmascarado por causa de um esquerdismo que nunca existiu - sobretudo através das "urubologias" de MC Leonardo, que não consegue esconder seu desprezo às esquerdas, que, quando muito, só servem para obedecer aos interesses do dirigente funqueiro - , o "funk carioca", também conhecido por suas parcerias escancaradas com as Organizações Globo, tenta mais uma vez obter visibilidade através do apoio político.

A situação se dá também depois que o ritmo perdeu a sua única rádio exclusiva, a Furacão 2000 FM, tirada do ar há poucas semanas, quando uma igreja evangélica arrendou os 107,1 mhz que, nos anos 80, haviam sido de uma rádio da Universidade Estácio de Sá, a Estácio FM, de rock alternativo.

E MC Naldo, um ídolo surgido do nada e alçado através de apresentações repletas de famosos - numa manobra contratual envolvendo empresários de "funk", executivos de TV e anunciantes - , mais uma vez repete a ladainha da pose de "vítima" que o "funk carioca" sempre adota para arrancar algum sucesso a mais: "O samba já foi alvo de muitos preconceitos que hoje o funk enfrenta. Essa política de união e de derrubada de barreiras faz o carioca mais feliz", disse.

Ídolos do chamado "pagode romântico" ou sambrega, como Grupo Molejo, Sorriso Maroto e Bom Gosto, assim como sambistas autênticos em busca de mais espaço na grande mídia, como Diogo Nogueira, Dudu Nobre, Fundo de Quintal, além da velha Guarda da Portela, mestre Monarco e Tia Surica, também participam da campanha.

Infere-se que o apoio do samba autêntico a Eduardo Paes se dá pelas promessas que o prefeito, pelas articulações que ele faz com entidades de turismo e investidores, fez para o samba carioca, sobretudo através de políticas relacionadas ao Carnaval.

Mas Eduardo Paes, sabemos, é também conhecido por não cuidar de patrimônios arquitetônicos, de investir pouco em Saúde e Educação, e em ter praticamente destruído o transporte coletivo carioca. E, além disso, é ligado a Sérgio Cabral Filho, governador fluminense que chegou a ser denunciado como integrante do esquema do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira.

Portanto, se vemos funqueiros apoiando Eduardo Paes, isso mais uma vez derruba a imagem "progressista" que o ritmo carioca tentou fabricar para si nos últimos dez anos.

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