quarta-feira, 4 de julho de 2012

FÁTIMA BERNARDES, TV GLOBINHO E "IMPROVISOS"


Por Alexandre Figueiredo

A Rede Globo tem suas hilariedades. Uma emissora que tentou transformar o Fantástico num programa alternativo e figuras como Caio Ribeiro como ícones "cult" deixa que um programa de entrevistas seja criado na base do improviso.

É o que se notou na primeira semana do programa Encontro com Fátima Bernardes, em que a senhora William Bonner, já desfeita de sua posição de co-apresentadora e co-editora do Jornal Nacional - hoje a cargo da senhora Amaury Soares, Patrícia Poeta - , torna-se agora a apresentadora e entrevistadora.

Da parte dela, pode ser que houve boas intenções. Mas, dentro da filosofia da Rede Globo, o programa está muito longe de representar, aqui no Brasil, o que Oprah Winfrey representou para a televisão norte-americana.

Nota-se aquele "padrão Globo" que não é o dos tempos da ditadura e nem os da mente fértil de Walter Clark (que, equacionados com os limites da ditadura militar, esboçou o "padrão Globo de qualidade" que consagrou a emissora nos anos 70), mas aquele padrão ao mesmo tempo informal e domesticado, com muita conversa e pouca informação, muito videoclipe e pouca reportagem, muita fantasia e pouca realidade.

Mas o que a ex-primeira dama do JN provocou, com seu programa, não foi apenas o desânimo daqueles que esperavam grande novidade no seu "encontro" - que, em outros tempos, poderia estar ao nível de um TV Mulher - e nem o fato de não ter causado surpresa ao habitual ceticismo da blogosfera progressista, obviamente sempre questionando qualquer espirro que se dê nos bastidores do Projac e outras praças "globais".

O mais insólito disso tudo é que os fãs da TV Globinho, alguns marmanjões, ficaram indignados com a redução do programa infanto-juvenil para as manhãs de sábado, e a aparente compensação do canal Gloob, da Globosat, que no entanto só serve para assinantes de pacotes avançados da TV paga. Ou seja, aqueles que poderão se servir de algo mais do que anúncios do Polishop, besteiróis do Multishow e canais rurais que mostram leilões de gado.

Sim, isso mesmo. Os fãs do Bob Esponja e dos seriados iCarly e Brilhante Vitória (que a Globo preferiu lançar no nome original, Victorious), respectivamente protagonizados pelos pitéus Miranda Cosgrove e Victoria Justice, estão indignados com o fim da TV Globinho nos dias úteis.

Com isso, o programa de Fátima Bernardes começou em baixa. Nem a grife da jornalista e sua inegável beleza e charme conseguiram segurar o programa que, no seu todo, é "improvisado" demais, dentro daquele espírito asséptico que é o atual "padrão Globo". Aquele que empurra a "cultura" brega para as classes abastadas, para depois os pseudo-esquerdistas da intelectualidade etnocêntrica assinarem embaixo e fazerem vista grossa.

A propósito, Alexandre Pires é um dos convidados do novo programa de entrevistas de Pedro Bial. Talvez outro "encontro" a mais na Globo. E é bom deixar claro que Pedro Bial é o animador do Big Brother Brasil (vem mais um por aí, infelizmente) e sócio do demotucano Instituto Millenium. E Alexandre Pires cantou para George W. Bush, para deixar claro aos astros da intelectualidade etnocêntrica que veem "esquerdismo" em qualquer coisa que se relacione à breguice de nosso país.

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