quinta-feira, 19 de julho de 2012

A NOVA POLÍTICA CAFÉ-COM-LEITE


Por Alexandre Figueiredo

Pelo jeito, a trajetória quase progressista do PT no Governo Federal está mostrando sinais de esgotamento, num país sem tradição socialista como o Brasil.

Com vários retrocessos ocorridos no governo Dilma Rousseff, o Brasil, que superestimou os relativos avanços da Era Lula, está cada vez mais entregue à influência fisiológica do PMDB, partido que cada vez mais exerce infuência sobre a presidenta.

Enquanto isso, a oposição se dilui deixando de lado os extremistas do PSDB, DEM e PPS para se articular a partir do "moderado" PSD, legenda "ressuscitada" depois de 48 anos extinta, por meio da iniciativa de Gilberto Kassab.

Isso faz com que a política brasileira passe a se polarizar numa nova "política do café-com-leite", lembrando outros episódios como os "luzias" (liberais) e "saquaremas" (conservadores) do Segundo Império, ou a alternância entre paulistas e mineiros na República Velha.

As duas polarizações acima citadas podem diferir de aspectos, porque enquanto "luzias" e "saquaremas" se polarizavam pela aparente ideologia de cada um - como o liberal Partido Democrata e o conservador Partido Republicado, nos EUA - , a alternância de paulistas e mineiros na República Velha é tão somente geográfica, alternando interesses das oligarquias do café (São Paulo) e do leite (Minas Gerais) no circo do poder.

A polarização política do PSD e do PMDB se traça com as articulações políticas dos dois partidos. O PSD absorveu políticos do PSDB, DEM e PPS, enfraquecendo sobretudo o DEM. O PMDB, por sua vez, quer articular fusões de partidos, como já havia feito com o antigo Partido Popular (PP) no final dos anos 70.

Se o PSD se torna uma versão menos belicosa do PSDB, o PMDB, que impõe seus interesses ao subserviente e pragmático PT, torna-se um partido "moderado" no cenário político brasileiro. Isso não quer dizer muita coisa. Afinal, partidos tornam-se, na maioria das vezes, meros acampamentos de interesses. Coisa que até o PSOL, o PPS de amanhã, já está fazendo, traindo seu já combalido semi-trotskismo.

Tais partidos, longe de representar reais diferenças ideológicas - quando muito, apenas posições ideológicas genéricas e vagas - , acabam se tornando partidos sem conteúdo, sem projeto para o país, restritos tão somente a promessas vagas, medidas paliativas, isso quando não apelam para medidas de caráter antipopular.

Isso não faz a diferença real entre esquerda e direita no cenário político. Ocorrem diferenças pontuais, mais pelos membros que constituem exceção no pragmatismo fisiológico ou reacionário dos partidos do que pelos partidos em si. São apenas indivíduos de conduta exemplar, exceções à regra dos políticos pouco confiáveis.

Mas eles são poucos. A maioria decepciona. Uns até acertam às vezes, mas em outras retrocedem. E o Brasil, que mais precisa de políticas arrojadas, se perde no pragmatismo dos paliativos e dos interesses pessoais em jogo. Dessa maneira, veremos apenas a polarização de um "progressismo" de fachada comandado pelo PMDB e um conservadorismo "mais humano" comandado pelo PSD.

No fundo, são a mesma coisa. Se, segundo o anedotário do Brasil imperial, nada havia de mais de mais parecido com um saquarema do que com um luzia no poder, veremos que nada haverá de mais parecido com o PMDB do que um PSD no poder.

Enquanto isso, o povo sofre com sacrifícios desnecessários sob a promessa de melhorias que não vêm.

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