quarta-feira, 20 de junho de 2012

A VULGARIDADE FEMININA E A ILUSÃO DE QUE TUDO É MAIS FÁCIL


Por Alexandre Figueiredo

No entretenimento dito "popular" da velha mídia grande, é trabalhada a ilusão de que as chamadas "musas populares" são sempre disponíveis, recurso que serve para estimular o imaginário (ou a falta dele) dos homens para alavancar as vendas de revistas "sensuais".

Em se tratando de um público pouco afeito ao raciocínio crítico e analítico, que não consegue elaborar sequer uma fantasia sexual - que já vem pronta e embalada nas revistas ou nos sítios da Internet - , o mercado das musas "calipígias", geralmente dotadas de uma forma física "turbinada", não mede escrúpulos de forçar o celibato de muitas musas, mesmo sendo elas "desejadas".

Para isso, até pouco tempo atrás havia as relações-relâmpagos, os casamentos de três meses, os namoros de três semanas e, na maioria das vezes, as paquerinhas que viravam notícias e quando tudo indicava um namoro certo, ele simplesmente era desmentido veementemente pelos dois envolvidos.

Isso pegou mal. Afinal, o público masculino mais grotesco, machista e um tanto mais matuto, quer que suas "musas" fiquem solteiras, mas acabam ficando inseguros quando veem que elas desfazem ou evitam relações com tanta frequência. Acaba vazando a informação de "compromissos de carreira", forma eufemística de dizer que elas precisam trabalhar a imagem de "símbolos sexuais", cuja sombra de algum homem seria a certeza de um fracasso.

Elas precisam vender revistas "sensuais", promover o êxito de escolas de samba e times de futebol às custas de sua imagem, e por isso o "celibato" torna-se a norma, coisa que foi denunciada num episódio em que a ex-paniquete Dani Bolina resolveu se casar com um modelo e seus patrões do Pânico na TV a expulsaram do programa.

Tudo parece muito fácil. O cidadão simples tem que endeusar musas de corpos "turbinados" e achar que elas são mulheres da sua vida. A imagem da mulher-objeto é enfatizada na sua condição de mercadoria, embora a intelectualidade etnocêntrica (sempre ela) tentou classificá-las como "feministas" só porque elas conseguem faturar sem a sombra de maridos ou namorados.

Quem não apoiar essa vulgaridade feminina recebe logo os ataques virtuais dos troleiros de plantão, a humilhar a solteirice de algum homem, pois, para uns, é pecado ser homem solteiro no Brasil, quase um crime. As humilhações vão desde a piadas homofóbicas - destas que confundem homens solitários com homossexuais - a indagações furiosas sobre por que fulano não gosta de uma "mulher-fruta", por exemplo.

Só que a coisa não é bem assim e, nos últimos anos, vários incidentes envolvendo as tais mulheres-objetos mostram que existem até mesmo aquelas que escondem namorados e maridos. São até casadas, mas são obrigadas, por motivos contratuais, a até "dar selinho" em fãs para estimular as fantasias masculinas.

Seus empresários se esforçam de dar uma indenização gorda para os maridos ou namorados conterem o ciúme de ver suas mulheres beijando meninotes nos palcos. E se impõe a condição de que eles devam viver isolados ou, pelo mesmo, distantes de suas esposas ou namoradas.

Em alguns incidentes, no entanto, os cônjuges aparecem e não dá para esconder. A primeira dançarina do funqueiro MC Créu, conhecida como Mulher Caviar, Eliza Pereira, teve seu namorado assassinado por um ex-namorado dela, ligado a um grupo de extermínio. Recentemente, a "solteiríssima" Mulher Filé teve seu namorado, um policial militar, preso num incidente em um posto de gasolina, e ele chamou a funqueira de "minha esposa".

Há até mesmo rumores de que uma outra funqueira tida como "solteiríssima" tenha adquirido uma moto importada para seu marido como "indenização" para um beijo que ela havia dado para um fã durante uma apresentação. Mas são precisos incidentes pouco agradáveis para desmascarar os "celibatos" profissionais dessas pretensas musas.

E, a despeito delas declararem que gostam de "homens simples", "legais" e "românticos", de preferência com "a cara do Harry Potter", seus namorados e maridos costumam variar de milicianos a jogadores de futebol. Na melhor das hipóteses, pequenos empresários ou ex-integrantes de reality shows. Nenhum com a cara do Harry Potter ou coisa parecida.

Por isso, o "universo" das musas "calipígias" não é mais do que uma ilusão. Não dá para confiar na solteirice forçada ou artificial delas. Elas podem esconder uma relação por trás, para não causar prejuízo na sua imagem de "desejada", não "encalhar" revistas com fotos delas e não causar vexame para escolas de samba e times de futebol que as patrocinam.

A única certeza que têm é que os homens "simples, legais, românticos e com a cara do Harry Potter" nem de longe estão a fim dessas musas "populares", que só são desejadas mesmo pelos homens durões ou apenas viris dos seus meios. A "facilidade" de conquistar tais "musas" esconde uma realidade dura e crua.

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