segunda-feira, 25 de junho de 2012

PARAGUAI NÃO ANTECIPARÁ ELEIÇÕES


Por Alexandre Figueiredo

O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do Paraguai anunciou que não serão antecipadas eleições para a escolha do novo presidente do país.

Com isso, o vice-presidente Federico Franco, que se tornou presidente depois do golpe "legalista" que derrubou o titular Fernando Lugo, governará o país até 2013.

As eleições ocorrerão no dia 21 de abril do próximo ano e a posse será quatro meses depois. Até lá, Franco completará o mandato de Lugo seguindo, todavia, uma cartilha que a velha grande mídia define, por eufemismo, de "moderada".

Enquanto surgem rumores de que um golpe está em curso também na Bolívia, o Paraguai voltará com um projeto político mais conservador, cujos maiores beneficiários serão os proprietários de terras do país, que mantém parcerias com empresários do agronegócio brasileiros.

Dessa feita, as elites conservadoras do Paraguai se satisfazem na vingança consumada de derrubarem Lugo, que ameaçava seus privilégios. Os argumentos foram os mesmos que os generais da ditadura militar brasileira fizeram contra João Goulart, classificando o ex-bispo paraguaio de "incompetente" e "despreparado para lidar com situações de conflito no país".

É como se um grupo de aluninhos implicantes - aqueles que cometem bullying contra colegas "mais fracos" - esperassem que um colega de aparência frágil mas inteligente e de grande caráter escorregasse no corredor, derramasse, sem querer, sua lancheira sobre a saia de uma colega e os implicantes usarem esse episódio para expulsar o coleguinha "desagradável".

Lugo apenas foi vítima de um impasse, diante do sangrento confronto entre trabalhadores rurais e a polícia que defendia os interesses dos latifundiários numa área em Curuguaty. Muitos dos latifundiários que possuem terras no Paraguai foram beneficiados pela ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), uma das primeiras na América do Sul instaurada até mesmo antes que a Revolução Cubana causasse dor de cabeça nos chefões da política de Estado norte-americana.

Com a volta da "normalidade" - leia-se uma situação conservadora e um projeto político-econômico bem ao gosto do FMI - , o Paraguai continuará sendo um país sem referências, conhecido pela vizinhança sul-americana como o "paraíso do contrabando" e o "reduto da pirataria latino-americana".

Talvez a intelectualidade etnocêntrica, para distrair a moçada, possa "aliviar a situação" creditando a "musa" Larissa Riquelme como "militante feminista" (!) daquele país. No entanto, a urubologia reinante vai chorar: sua "democracia paraguaia" já está fora das próximas reuniões do Mercosul.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...