quarta-feira, 27 de junho de 2012

O TENEBROSO GOLPE DO PARAGUAI


Por Alexandre Figueiredo

O golpe do Paraguai é pior do que se imagina, pela forma com que foi feito, através de uma fachada de legalidade.

A derrubada de Fernando Lugo, sem que lhe desse uma real chance de defesa, foi resultado de um jogo de interesses e de negociações entre as forças conservadoras do país com os EUA, num plano que já era concebido ha três anos, conforme divulgou o Wikileaks.

A situação é tão terrível que, por trás da derrubada de Lugo, estavam interesses não só de latifundiários paraguaios, mas de seus sócios brasileiros do agronegócio, os chamados "brasiguaios". E, o que é pior, braços criminosos associados a tais elites, como contrabandistas, traficantes e grupos paramilitares, muitos associados ao roubo de carros e ao comércio ilegal de produtos piratas ou contrabandeados, também estavam articulados na "campanha" pela derrubada de Lugo.

Fernando Lugo se esforçou em combater o crime organizado que o derrubou. Queria acabar com esse mercado ao mesmo tempo escravista, assassino, explorador e ilegal. Lugo queria, com isso, queria promover a justiça social, a cidadania e um mercado de trabalho mais humano. Mas mexeu em privilégios tão ilegais e criminosos quanto geradores de fortuna fácil para seus interessados.

A velha grande mídia brasileira, embora admita a precipitação do congresso paraguaio na derrubada de Fernando Lugo, agora tenta, de uma maneira ou de outra, legitimar o governo de Federico Franco. E seus "calunistas" partiram para cima do Mercosul, julgando "injusta" sua decisão de banir o Paraguai das próximas reuniões do bloco econômico.

O povo protesta, no Paraguai, contra a decisão do Legislativo de seu país. Fernando Lugo e sua equipe ministerial montam um governo paralelo para pressionar contra Federico Franco. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) já começaram a reagir ao episódio do impeachment que tirou Lugo do poder.

A Unasul também baniu, a exemplo do Mercosul, o Paraguai das próximas reuniões. Em ambos os casos, a decisão valerá até que o Paraguai restabeleça a ordem democrática. Quanto à OEA, uma missão foi enviada para o Paraguai para analisar a situação, mas a organização sinalizou que pode adotar alguma medida enérgica por causa do episódio.

Ainda vai render muito essa crise no Paraguai, na medida em que as classes dominantes do país farão tudo para manter Federico Franco no governo. Mas as pressões internacionais contra a situação estão começando, o que fará o pequeno país se complicar ainda mais. E mostra o quanto o golpe contra Fernando Lugo é tenebroso, podendo servir de um precedente político para outros golpes "legais".

Convém ficarmos atentos aos fatos.

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