domingo, 24 de junho de 2012

O SENTIDO PEJORATIVO DO TERMO "PARAGUAIO"


Por Alexandre Figueiredo

O Paraguai, com sua longa ditadura que dizimou com seus referenciais de país e sociedade, passou a ser mais conhecido, internacionalmente, pelo comércio de produtos piratas, pelo contrabando de automóveis e pelos registros ilegais de automóveis roubados.

Se o país, um dos vizinhos do Brasil, não vivia seus grandes dias, depois da longa, corrupta e violenta ditadura de Alfredo Stroessner, o Paraguai tornou-se perdido em sua identidade como nação e como povo. Coisa que o ex-bispo católico e militante da Teologia da Libertação, Fernando Lugo, tentou resolver, tentando devolver ao país a dignidade perdida há muito tempo.

Fernando governou sob intensa oposição, tanto pelo Congresso paraguaio majoritariamente conservador, quanto pela grande mídia de lá, sempre a explorar factoides para desmoralizar o presidente. E tudo isso aconteceu até que um sangrento conflito de terras servisse de pretexto para as elites darem o golpe final contra o presidente, praticamente impondo um impeachment em rito sumário, quase sem chance de defesa.

Com isso, entra agora no poder o "moderado" Federico Franco, cirurgião que havia sido vice-presidente do Paraguai mas fazia oposição ao titular, investindo na desestabilização política. Dessa maneira, o Paraguai passará a ser novamente o bom aluno da cartilha panamericana do FMI, enquanto o país continua na sua crise de referenciais, na sua crise identitária, como um inexpressivo país sul-americano.

Com isso, continuará valendo aquilo que o anedotário brasileiro entende, pejorativamente, como "produto paraguaio". São produtos falsificados, contrabandeados ou roubados, é a lavagem de dinheiro, é o comércio pirata, prostituição etc. A turma do Coletivo Fora do Eixo deve adorar, porque a crise de valores no Brasil ditatorial, que favoreceu a expansão mercadológica da música brega, também inclui pirataria, comércio clandestino e prostituição.

Coitada da cantora Perla, uma cantora de boleros paraguaia que foi colocada, junto ao português Roberto Leal, no balaio dos bregas só por causa dos mesmos programas de TV. Perla foi quase uma Shakira de seu tempo, era apenas uma cantora pop do seu país. E, mesmo assim, foi deixada de lado à sorte de ser lembrada num futuro "Ploc 80", sobretudo por causa de uma funqueira praticamente homônima, a MC Perlla, que agora saiu da cena funqueira para virar cantora evangélica.

Pois o Paraguai mereceria um respeito maior de nós, brasileiros, sobretudo nesse tempo de crise política. Mas pode ser que o sentido "paraguaio" dos produtos falsificados valha mesmo para a "legalidade" com que os grandes proprietários de terra representados no Congresso daquele país usaram para depor Lugo.

Neste sentido, podemos dizer, sim, que foi uma "legalidade falsificada" ou uma "falsidade legalizada". Usou-se artifícios legais para acobertar o golpe dado a um presidente eleito democraticamente e que apenas foi vítima das pressões selvagens da oposição.

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