quinta-feira, 14 de junho de 2012

O QUE A TV FOLHA FAZ PARA JUSTIFICAR SUA EXISTÊNCIA


Por Alexandre Figueiredo

O que a TV Folha é capaz de fazer para tentar justificar sua existência na TV Cultura, mesmo significando a interferência do poder privado mais conservador numa emissora de TV educativa.

Sabe-se que o TV Folha é um programa produzido pela equipe da Folha de São Paulo e que, com o pretensiosismo de compensar a decadência do jornal, apela para a visibilidade fácil da televisão.

Entre um e outro comentários "urubólogos" de seus jornalistas políticos, o TV Folha tenta "diversificar" o conteúdo, chamando atrações de outros ramos, para assim aliviar a carga política e tentar mostrar algo "mais cultural".

De fato a linha editorial tem que recorrer até mesmo à grande e talentosa atriz Bibi Ferreira, ela em si filha e discípula do mestre do teatro Procópio Ferreira. Com 90 anos de idade, a atriz e diretora junta uma larga e produtiva experiência, e ela também é uma das vozes remanescentes num tempo em que se respirava cultura de verdade.

Bibi cumpriu o compromisso de dar entrevistas, falou sobre sua carreira, fez a sua parte com a serena dignidade de quem realmente está acima das ideologias midiáticas. Mas um detalhe que o pessoal da Folha de São Paulo tem que saber é que ela também foi apresentadora de TV, num canal cujo perfil ideológico incomodava muito o empresário Octavio Frias de Oliveira, obviamente o falecido pai de Otávio Frias Filho.

Bibi apresentou, durante alguns anos, um programa que misturava variedades e música brasileira (de verdade), que se intitulava "Brasil 60" em 1960. O programa, que teve a produção do hoje autor de novelas Manoel Carlos, era transmitido pela TV Excelsior, de Mário Wallace Simonsen, o empresário de café e dono da companhia aérea Panair que, apesar de sua grande fortuna, era ideologicamente alinhado com a esquerda política.

O empresário - cujo Wallace separava os dois nomes em comum com o economista e banqueiro Mário Henrique Simonsen, este de perfil direitista - era sócio do amigo Leonel Brizola nas ações da Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro (atual Rádio Livre AM 1440 khz), e apoiava o governo João Goulart.

Esse apoio custou a Wallace Simonsen a perseguição política da ditadura militar. Administrador exemplar, o dono da TV Excelsior, no entanto, foi pressionado com dívidas pesadas que resultaram na falência da Excelsior e da Panair. Ele queria pagar as dívidas com parcelas, de maneira exemplar, mas a ditadura, vendo o perfil ideológico do empresário, queria cobrar demais para desmoralizá-lo e enfraquecê-lo. O empresário se suicidou em 1965, aos 56 anos, abalado com os rumos de sua vida e da política do Brasil.

Bibi tinha sido uma das apresentadoras mais populares da Excelsior, e depois da série Brasil 60, Brasil 61 e Brasil 62, foi apresentar Bibi Sempre aos Domingos. Chegou a ameaçar, em vários domingos, a supremacia de Sílvio Santos, então o maior astro da TV Paulista desde que se lançou em 1961 com Vamos Brincar de Forca, primeiro de uma linhagem de game shows que hoje inclui o Roda Roda (SBT).

Mas como os tempos foram passados, ninguém se lembra que a atriz entrevistada pelo programa TV Folha foi uma das estrelas de uma televisão que, mesmo tendo uma programação ideologicamente neutra, teve como dono uma figura socialista. Tendência que até hoje causa horror e repugnância à famiglia Frias.

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