segunda-feira, 4 de junho de 2012

O "FUNK CARIOCA" E A REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Ontem, o jornal O Dia publicou uma notícia sobre a queda de muitos ídolos funqueiros à criminalidade. O próprio caráter mafioso do "funk carioca", as manobras de mercado e a competitividade entre os MCs que tentam ir além de um único sucesso, tornam-se alguns fatores para casos como o do funqueiro "de raiz" MC William, preso há algumas semanas.

Isso mostra o quanto esse ritmo brega-popularesco pouco se preocupa com a "cidadania" que diz defender em palestras pontuadas por aplausos dos desavisados. E o quanto muitas causas aparentemente defendidas pelos funqueiros não são mais do que conversa para boi dormir.

Se hoje até a APAFUNK cospe no prato em que comeu e tenta desmentir a missão educacional do "funk carioca" - numa clara preocupação de perder o potencial comercial dos "bailes funk" alimentados pelos "proibidões" - , depois de defesas alardeadas e aplaudidas pela intelectualidade mais festiva, o "funk carioca" mostra o quanto sua militância tem de falsa, porque até o falso esquerdismo que aliciou editores de Caros Amigos, Fórum e Brasil de Fato, entre outras publicações do gênero, torna-se notório quando seus arautos também estabelecem alianças explícitas com a Rede Globo e a Folha de São Paulo, num evidente jogo-duplo midiático.

Agora é anunciado um projeto de regulação dos meios de comunicação, prevendo até mesmo uma consulta popular. A retórica funqueira, meio superficialmente, tentou sinalizar-se a favor da regulação da mídia, num posicionamento tendenciosamente feito junto às forças progressistas, a partir da aparente defesa da cidadania.

Mas, como a regulação da mídia, se tomada além de seus enunciados mais vagos, compromete muitos dos princípios e atividades dos ídolos e dirigentes funqueiros, ela poderá representar mais um obstáculo para os interesses funqueiros, na medida em que proibirá o aluguel de programas na TV aberta, esquema feito pela equipe da Furacão 2000, de Rômulo Costa.

Ou seja, se pelo enunciado superficial os funqueiros podem defender a regulação da mídia nos limites em que esta não diverge da retórica "cidadã" daqueles, pelos pormenores a regulação midiática se lançaria contra ídolos do porte de Tati Quebra-Barraco, Valesca Popozuda e Mr. Catra, que nunca teriam existido se a regulação dos meios de comunicação tivesse sido feita há muito, muito tempo.

Agora, quando o Governo Federal anuncia que vai combater o aluguel de programas na TV aberta, a regulação da mídia cria uma outra pedra nos sapatos funqueiros, criando mais uma contradição para a "nação funqueira" que queria se anunciar como "progressista".

As falhas, equívocos e contradições fazem com que o "funk carioca", sem poder explicar tais posturas à sociedade, passe a perder seu próprio mercado, abrindo o caminho para o tecnobrega, que, usando a mesma retórica "cidadã" do "funk carioca" e do mesmo rótulo de "patrimônio cultural" obtido por vias politiqueiras, no entanto parece mostrar um "alto astral" que os funqueiros com sua pose de vítima não mostram.

O que prova que o brega-popularesco é um mercado perverso. E, às vezes, perverso até com seus próprios beneficiários. A mediocridade cultural tem dessas coisas.

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