quarta-feira, 27 de junho de 2012

O FAROFA-FÁ DO EFE-AGÁ


Por Alexandre Figueiredo

O mentor intelectual da intelectualidade que defende o brega-popularesco, o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não é muito diferente, no pseudo-esquerdismo, que vemos nos cientistas sociais e críticos musicais mais badalados.

Fernando Henrique Cardoso também tem lugares em que vende uma imagem de "intelectual de esquerda", que são as plateias de universidades situadas em algumas cidades da França, como Paris, Nanterre e Sorbonne, para citar as principais, ou os fóruns econômicos que tem o sociólogo como convidado.

Sabe-se, também, que Fernando Henrique Cardoso também sonha, tal como um Pedro Alexandre Sanches na abordagem cultural, com uma "esquerda mais obediente", que não questionasse os rumos "seguros" da economia neoliberal globalizada.

Pois o próprio FHC havia se misturado com os intelectuais de esquerda quando, nos anos 60, se dizia influenciado por Karl Marx - mas, sobretudo, pelo que Max Weber analisava de Karl Marx - e se relacionava com os intelectuais do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, uma organização que surgiu por encomenda de Juscelino Kubitschek para analisar o país e que, inicialmente neutro, tornou-se uma entidade claramente de esquerda.

Naqueles tempos, figurões que hoje integram a direita intelectual e política no país eram alinhados à esquerda, uns aparentemente, outros pelos arroubos de juventude: os cepecistas Ferreira Gullar e Arnaldo Jabor, o líder estudantil José Serra e o então anônimo estudante Fernando Gabeira.

Os tempos passam e, na distância do passado, indagamos o que faz com que idealismos socialistas se percam, para uns, com as desilusões da militância ou pelas ilusões dos privilégios obtidos, ou o que faz com que direitistas latentes defendam um esquerdismo de resultados para obter vantagens pessoais.

São coisas que mudaram de ontem para hoje e podem mudar de hoje para amanhã. Em 1964, Fernando Henrique Cardoso e José Serra pareciam sinceros centro-esquerdistas, e em nenhum momento puseram os pés nos salões do IPES e do IBAD. FHC parecia simpatizante do ISEB e seguidor de Celso Furtado.

Mas em 2010, se viu José Serra se aliando com o Comando de Caça aos Comunistas - que já fazia seu terror em 1964, queimando a sede da UNE que foi presidida pelo próprio Serra, e depredando até estúdios de emissoras de rádio - e Fernando Henrique Cardoso há muito consagrado por ideias que agradam aos chefes do FMI e já reconhecido como um político conservador nos dois governos que fez para o país.

Dessa forma, Fernando Henrique Cardoso, como as conveniências permitiram, pôde parecer um intelectual de esquerda aos olhos desavisados de seu público. E pode se misturar com a nata da esquerda política e intelectual quando as circunstâncias permitiram. Até que, depois, mostrou ideias claramente conservadoras, na medida em que seu aparente esquerdismo era superficial. Mas aí ele já havia usado as esquerdas para obter vantagens e depois largá-las no caminho.

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