quarta-feira, 27 de junho de 2012

MÍDIA BRASILEIRA DEFENDE FEDERICO FRANCO. LUGO PREPARA GOVERNO PARALELO


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia, pelo menos a do Brasil, já se posicionou favorável ao novo governo paraguaio, presidido agora pelo "moderado" Federico Franco, que havia sido vice do titular deposto, Fernando Lugo, numa coalizão de diversos partidos nas eleições de 2008.

A princípio, jornais e emissoras de TV pareciam estranhar a rapidez extrema com que Lugo foi deposto, embora não questionassem a fachada de legalidade que o Congresso do Paraguai usou para expulsar o presidente do poder, através do impeachment.

Em todo caso, porém, a velha grande mídia, através de seus comentaristas, se empolgou com as alegações dos parlamentares conservadores paraguaios de que Lugo era "incompetente" e "despreparado" para lidar com situações difíceis como a do massacre de Curuguaty. Os parlamentares acharam que Lugo, ao apoiar os trabalhadores sem-terra, vários deles vítimas do confronto com os policiais da citada região, estava "pondo em risco" a democracia no país.

Além de aplaudir a ação do congresso paraguaio, em que pese a crítica à pouca chance de defesa dada a Lugo, a velha grande mídia partiu para criticar a atitude do Mercosul de banir o Paraguai das próximas reuniões do bloco econômico. A declaração divulgada contou, no entanto, até mesmo com a adesão do Chile, governado por uma figura até mais conservadora do que parecia, em tese, ser o atual presidente paraguaio Federico Franco, o empresário Sebastián Piñera, associado à Opus Dei.

Até mesmo a presidenta Dilma Rousseff recebeu o apelo dos comentaristas midiáticos para que ela aceitasse a "soberana decisão" do Legislativo do Paraguai. E os comentaristas capricham no discurso "legalista" e "democrático", sugerindo que Dilma adote uma posição "neutra" em relação ao caso.

Em contrapartida a tudo isso, o ex-presidente Lugo afirmou que continuará governando. Ciente de sua vocação democrática, ele montou um governo paralelo com sua equipe ministerial. O Gabinete de Restauração da Democracia, nome dado à iniciativa, terá como sede a própria casa do ex-presidente, que fiscalizará os atos e decisões do presidente Federico Franco.

O governo foi anunciado numa reunião entre o ex-presidente, a sua equipe ministerial e parlamentares aliados. Estes tentam alguma solução legal para restituir o poder do presidente deposto, embora ela seja difícil por conta da maioria conservadora no Congresso.

Quando iniciou o processo que culminou no golpe, Lugo participava da reunião do Rio+20, no Brasil. Depois que deixou o poder, Lugo ainda se reuniu, na rua Alberti, no centro de Assunção, para se solidarizar com os manifestantes que estavam em frente à sede da TV Pública, protestando contra a censura e a depoisção do presidente.

Fernando Lugo também pretendeu, a princípio, apresentar sua defesa na reunião de cúpula do Mercosul, nos próximos dias 28 e 29, mas depois mudou de ideia. Por outro lado, Fernando Lugo desqualificou Federico Franco - a quem evita chamar de "presidente" - como intermediador de negociações internacionais entre o Paraguai e os demais países do mundo.

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