terça-feira, 19 de junho de 2012

JOSÉ SERRA ADORA ENGARRAFAMENTOS


Por Alexandre Figueiredo

O pré-candidato à prefeitura de São Paulo, o tucano José Serra, um dos convidados na palestra-debate sobre o livro O Triunfo das Cidades, do economista Edward Glaeser, disse que o problema no trânsito de São Paulo está nas linhas de ônibus que, segundo o presidenciável derrotado em 2010, poderão "congestionar a cidade".

Serra defendeu a alternativa dos transportes de trilhos, desprezando a informação de que nem toda parte da cidade de São Paulo é adequada para implantar este transporte. Ele alega que as vias da cidade estão saturadas para a ampliação das frotas de ônibus.

Serra, todavia, não fez a menor crítica aos automóveis, estes sim responsáveis pelos congestionamentos da capital paulista. Até mesmo na janela do estúdio da TV Globo de São Paulo, onde se apresenta o Bom Dia São Paulo e a parte paulista do Bom Dia Brasil, nota-se um intenso fluxo de automóveis pelas marginais, o mesmo ocorrendo nas avenidas da cidade.

Citando informações do engenheiro de tráfego Horácio Figueira, o jornalista Flávio Massayoshi Oota descreve que 90% das vias da capital paulista são ocupadas por carros e só servem para transportar um terço do total de pessoas que circulam na cidade. Alguns outros dados foram descritos:

- A frota de automóveis registrados na cidade está em torno dos 7 milhões e estima-se que cada carro transporte, em média, 1,2 pessoas (66% circulam apenas com o motorista);

- das 38 mil viagens diárias feitas em São Paulo, perto de 14 mil são feitas em transportes coletivos, 11.500 mil em carros individuais e 12.500 de forma não motorizada (como de bicicleta e caminhando);

Sobre a questão dos transportes de trilhos e de ônibus, Flávio cita outras informações de Horácio Figueira:

"Tomando uma avenida média de São Paulo como exemplo, a av. Brasil, os gastos necessários para criar um corredor de ônibus na faixa da direita giram em torno de R$ 500 mil. Se fosse uma faixa à esquerda, sem interrupção pelo tráfego de carros, o valor subiria para R$ 10 milhões. Agora, se o investimento fosse feito para colocar em prática uma linha de metrô, o montante bateria os R$ 200 milhões. Por dia, as linhas de ônibus transportariam de 3 a 4 milhões, enquanto a linha de metrô daria vazão a 850 mil pessoas neste trecho. Transporte sobre trilhos é pelo menos 10 vezes mais caro do que uma faixa de ônibus e transporta 4 vezes menos gente, segundo Horácio Figueira. Um bom exemplo é Londres, onde os 1.500 quilômetros de metrô transportam metade dos passageiros de ônibus.
Veja, não se trata aqui de escolher entre um ou outro, mas de priorizar o que for mais adequado a cada situação".


As frotas de ônibus já são reduzidas em várias linhas. Conta-se pelos dedos os ônibus que passam pelas marginais vistas dos estúdios da TV Globo São Paulo pelos telespectadores de todo o país que se dispõem a acompanhar o Bom Dia Brasil.

Há tempos o sistema de ônibus paulistano, através do projeto do banqueiro Olavo Setúbal - ligado ao ex-prefeito e ex-líder estudantil Paulo Egydio, hoje ligado ao mesmo PSDB de Serra e Geraldo Alckmin - já segue essa "lógica" de redução das frotas. Um incidente, em 2009, mostrou moradores de um bairro suburbano queimando um ônibus porque não aguentavam ficar tanto tempo esperando pela linha de ônibus que atende a comunidade.

Desse jeito, José Serra mais uma vez ignora a vontade popular. Fechado nos naturais interesses elitistas de seu partido, que fez o governador paulista Geraldo Alckmin mandar destruir toda uma comunidade popular, a do Pinheirinho, em São José dos Campos, e a impor repressão policial aos usuários de crack no centro da capital paulista, em vez de promover tratamentos assistenciais para livrá-los desse consumo, Serra é a típica expressão do pensamento conservador e antiquado.

Em outros tempos, fazia sentido o PSDB vender a imagem de moderno. Era uma imagem muito falsa, plastificada, hipócrita. Mas resta um consolo. José Serra encontra afinidade com Jaime Lerner, o arquiteto paranaense que também adora uma redução das frotas de ônibus, que fez o sistema de transporte de Curitiba entrar na situação decadente de hoje.

E, como consultor do transporte de Niterói, Lerner também contribuirá para mais engarrafamentos na antiga capital fluminense, piores do que os que já existem. E ainda tem gente que pensa que Jaime Lerner é progressista. Pode isso?

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