sábado, 2 de junho de 2012

GILMAR MENDES, VEJA E OS ABUSOS DE PODER


Por Alexandre Figueiredo

Gilmar Mendes e a revista Veja violentam a Constituição Federal. Abusam da condição de representantes de forças constitucionalmente legitimadas para o exercício da democracia, se achando acima da ética - ou não seria abaixo dela? - e até mesmo da opinião pública.

Encrencados com as ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, cujo escândalo político se torna tão grande que existem manobras feitas para tentar "melar" a CPI, seja através do silêncio de alguns depoentes, seja pelos acordos para evitar a convocação de certas figuras, como o governador fluminense Sérgio Cabral Filho.

Não fica bem um político como Cabral Filho, que se assumiu, frente aos dirigentes esportivos internacionais, como o anfitrião maior das festas esportivas de 2014 e 2016, respectivamente a copa do mundo de futebol e os jogos olímpicos, ser "humilhado" pelos parlamentares e "entregar" figuras que também seriam estratégicas para o espetáculo politiqueiro que também envolve muitos investimentos empresariais.

Até Lula deveria ser convocado para depor. Se não como acusado, mas ao menos como testemunha ou para esclarecer o que Veja divulgou a respeito dele, a suposta denúncia de que o ex-presidente teria pressionado o Supremo Tribunal Federal para abafar a CPI do Mensalão, anos atrás. O factóide foi plantado por Gilmar Mendes, ministro do STF notório por suas trapalhadas, até mesmo contra os jornalistas, a quem ele chamou, certa vez, de "cozinheiros".

ATAQUES À BLOGOSFERA

Gilmar, no seu pedantismo ético, começou a reagir contra os inúmeros textos publicados pela blogosfera a respeito das denúncias que o envolvem no esquema de Carlinhos Cachoeira. Conforme plantou o colunista Jorge Bastos Moreno, os blogueiros estariam sendo financiados pelo Governo Federal para atacar "as instituições".

Sim, você que lê o Mingau de Aço, ou outros blogues do gênero, se você seguir a ótica difundida por Veja, O Globo, Folha e outros veículos da mídia conservadora, vai pensar que os blogues são patrocinados pelas verbas do governo Dilma.

Bom, no meu caso posso garantir que não recebo verbas do Governo Federal. Até poderia, mas de outra forma, porque estudei para vários concursos públicos. Ainda sonho entrar no IPHAN, e assim poderia ser um assalariado de uma autarquia do Ministério da Cultura. Mas, para este blogue, nenhuma verba federal ou partidária é enviada para cá. Este blogue é feito "nas coxas", mesmo. E no momento estudo para o concurso para a Câmara Municipal de Rio Bonito.

A acusação de "blogueiros chapa-brancas" também não procede. Nem sempre temos ou queremos que concordar com Lula, Dilma ou quem quer que seja. Se mesmo um esquerdista falha, as críticas poderão ser tão enérgicas quanto as dirigidas a um direitista. E também não nos calamos diante de pseudo-esquerdistas que venham com causas pretensamente progressistas - sobretudo quanto à cultura popular - e até imitem os jargões progressistas, como chamar Dilma Rousseff de "presidenta" e não "presidente".

A blogosfera criticada pela velha imprensa e seus porta-vozes, além dos políticos e personalidades em geral que corroboram a visão de seus veículos, estabelece, na verdade, um grande fórum de debates que incomoda a velha mídia, que antes detinha o monopólio da formação da opinião pública.

ABUSO DE PODER

O grande problema que existe é que o grande escândalo de corrupção, comandado pelo bicheiro goiano, está sendo aos poucos mostrado à luz da opinião pública. E a perda de controle dos envolvidos quanto ao sigilo desse processo, que não é tão recente assim, faz preocupar até mesmo a velha grande imprensa.

Não é à toa que a revista Veja vive um período de muito baixo astral, num clima trevoso dentro de suas redações. As chances de convocação de Roberto Civita existem, embora nada pareça sinalizar-se a respeito. O interesse do mainstream da política brasileira é tão somente reduzir o caso Cachoeira ao expurgo político de Demóstenes Torres e Marconi Perillo, senador e governador goianos, respectivamente.

Até outro ministro do STF, Joaquim Barbosa, advertiu a opinião pública da figura perigosa do "jagunço midiático", como Joaquim chamou o referido colega Gilmar. E isso mostra o quanto o risco da CPMI do caso Carlinhos Cachoeira, se conduzido de forma transparente e abrangente, pode se transformar numa grande devassa que derrubará, com efeito dominó, grandes figuras do meio político, empresarial e midiático.

E isso abalará completamente as estruturas de poder existentes, na medida em que abusos de poder de pessoas integrantes da velha grande imprensa e do Poder Judiciário, feitos através de seu reacionarismo mais feroz, não só não evitam a repercussão das denúncias como agrava cada vez mais a reputação já arranhada dos envolvidos. Que, como feras feridas em primeira instância, continuam rugindo alto.

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