segunda-feira, 18 de junho de 2012

FACTOIDES, ESCÂNDALOS, POLÊMICAS. CULTURA, NADA


Por Alexandre Figueiredo

Nada de cultura, tudo de hit-parade, é o lema da intelectualidade dominante em nosso país, apesar de todo o discurso engenhoso e sedutor.

Pois a "cultura de vanguarda" que eles defendem, dez anos depois deles terem lançado a choradeira de que os ídolos "populares" do brega-popularesco eram "vítimas de preconceitos", não passa de um mero pop comercial à brasileira, que nada tem a ver com a "verdadeira cultura popular" que a pregação intelectual tanto alardeia.

Depois da prisão do rapper Emicida por conta de uma pseudo-rebeldia que confundiu provocação gratuita com ativismo social, vemos Gaby Amarantos, outra "militante fora do eixo", e completamente à vontade nas Organizações Globo, Folha de São Paulo e revista Caras, criar um outro factoide.

Ela havia sugerido uma simpatia para o Dia dos Namorados em que uma calcinha feminina era usada como coador de café. Sem ter o que dizer, a cantora paraense apelou para uma declaração dessas. Ou então deve ter recebido alguma mensagem "espiritual" do "mestre" Wando.

Na música brega, dizer bobagens é uma forma de obter visibilidade fácil através de declarações frívolas e sem sentido. DJ Marlboro, Zezé di Camargo e Ivete Sangalo já disseram suas besteiras na grande imprensa. Marlboro, por exemplo, chegou a dizer que o "funk carioca" é a "verdadeira MPB", em claro tom de galhofa contra a opinião pública.

São escândalos, polêmicas, factoides, tudo movimentando a mediocrização cultural brasileira. Cultura, no sentido de geração e transmissão de saber, nada. E não convence quando os ícones da mediocrização cultural vão para os círculos da elite, achando-se "sofisticados" e "antenados com a alta cultura", porque eles apenas querem que as elites culturais legitimem a mediocrização que ocorre solta pela grande mídia.

Para um país em que um dos programas de grande audiência mostrava uma entrevista fútil com uma figura mais fútil ainda como a Valesca Popozuda, faz sentido ver celebridades se autopromovendo às custas de bobagens ditas em entrevistas. E o pessoal ainda fica se achando, talvez nem tanto quanto os (agressivos) fãs desses ídolos brega-popularescos, que aplaudem até os espirros de seus ídolos.

Isso é consequência de uma educação midiática ruim, de uma mídia que, nos últimos 20 anos, despejou uma série de ruindades, de mediocridades, de tolices totalmente supérfluas, mas tidas como "substanciais" pelos "executivos" da TV aberta, que estavam surdos às críticas enquanto promoviam a degradação cultural pela TV, pelo rádio e pela imprensa, numa época em que ainda não havia Internet ou quando ela era incipiente.

Em tempos de regulação da mídia, teremos que repensar nossos valores e até na boa formação do público. Hábitos viciados terão que ser mudados, para que o progresso social se efetue. Mas a intelectualidade que detém o monopólio das palestras e da visibilidade não quer saber, porque qualquer iniciativa que seja a favor do progresso social das classes populares, eles veem como "preconceito" e "higienismo elitista".

Tucanos também comem paçoca com farofa-fá.

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