COMENTÁRIOS DESTE BLOGUE: Os Diários Associados, empresa fundada por Assis Chateaubriand e, com sua grave doença, passou a ser administrado por seus funcionários herdeiros, até os dias de hoje (quando a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, é um dos seus veículos principais), aparentemente não se enquadram nos âmbitos da mídia mais reacionária, parecendo mais próxima à chamada "mídia boazinha", aquela que adota uma postura conservadora geralmente mais contida (como Isto É e Grupo Bandeirantes).
No entanto, a empresa de Chatô defendeu abertamente o golpe militar, a ponto de negociar com autoridades do II Exército a demissão de uma jornalista "incômoda" para a empresa.
Documento revela ligação entre os Diários Associados e a ditadura
Documento revela que a jornalista Neusa Sant’ Anna Coellho Pinheiro foi demitida dos Diários Associados de São Paulo por “entendimentos entre o II Exército e diretoria” do veículo
Publicado por Documento Revelados - Reproduzido da Revista Fórum

A gente costuma ouvir que a imprensa lutou contra a ditadura. Mas não é isso que os registros históricos dizem. Mas não devemos generalizar. Existiram sim os veículos alternativos como O Pasquim, Versus, Opinião, O Sol, EX e outros de conteúdo contra o regime militar.
Mas a verdade é que a imprensa brasileira teve um papel importante na ditadura civil-militar. O Globo, JB, Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Diário de Notícias e os órgãos dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, levantaram abertamente a bandeira do golpe militar. O Correio da Manhã e a Tribuna resolveram depois se opor ao regime e acabaram sofrendo retaliações duras. Mas O Globo é, sem dúvida, o veículo impresso que mais apoiou o regime autoritário. Nem preciso dizer que Chateaubriand, dono dos Diários Associados foi bem recompensado com o apoio.
Diversos militantes da Resistência presos nas mão do DOI-CODI, foram transportados em carros da Folha. O Grupo Folha apoiou o golpe de estado, financiou e participou diretamente da repressão. Em seu livro Ditadura Escancarada (p. 395), Elio Gaspari diz que “Carros da empresa [Folha] eram emprestados ao DOI, que os usava como cobertura para transportar presos na busca de ‘pontos’ ” (p. 395).
O documento abaixo é uma prova cabal e definitiva dessa colaboração entre os repressão e imprensa.
Nele, é revelado que a jornalista Neusa Sant’ Anna Coellho Pinheiro foi demitida dos Diários Associados de São Paulo por “entendimentos entre o II Exército e diretoria” dessa cadeia jornalística.
INFO 128DSEG-4
ASSUNTO: NEUSA SANT’ANNA COELHO PINHEIRO
ORIGEM: CENIMAR
CLASSIFICAÇÃO: A1
DIFUSÃO: IIEX-SNI/ASP-DEOPS/SP-DPF
DIFUSÃO ANTERIOR: DIS/COMZAE 3 E 4 -SNI/ARJ CIE
INFO 142 CISA/RJ
DATA: 01JUNHO71
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