sábado, 30 de junho de 2012

DEZ ANOS DE UMA CONQUISTA COMPRADA


Por Alexandre Figueiredo

Hoje não é uma data para comemorar, mas para lamentar. Afinal, hoje faz dez anos de uma "vitória" que não se deu por méritos naturais, num evento esportivo em que as manobras políticas valeram mais do que qualquer talento de qualquer time.

A Copa do Mundo Fifa de 2002, o evento realizado no Japão e na Coreia do Sul, foi um evento de cartas marcadas onde o nome Brasil não faz o papel de herói, mas de vilão. Afinal, o evento representa o auge das manobras políticas do dirigente esportivo Ricardo Teixeira.

A seleção que jogou todas as partidas nem de longe era um time admirável. É aquele time que ganhava as partidas mas sem jogadas seguras e empolgantes. Muito fraca em campo, não tinha coragem de ir para o campo do adversário fazer dribles habilidosos, antes enrolasse as torcidas com passes dentro do campo de defesa.

Desde as eliminatórias de 2001, a seleção brasileira se comportou assim. Sem jogadas confiáveis, teria sido melhor que a Copa de 2002 fosse a primeira que excluísse a seleção brasileira do seu elenco. Os bastidores do futebol eram marcados por muita corrupção e uma CPI foi feita para avaliar os conchavos políticos dos dirigentes esportivos e até mesmo as ligações da mídia com os chamados "cartolas".

Uma das estranhezas é que, tanto nas eliminatórias como na copa propriamente dita, a seleção chilena, que não era das mais fracas, se comportou pior do que um time ruim de futebol de várzea. E a partida de 2001 mostrou que a "vitória" da "nossa" seleção se deu mais porque os adversários "liberaram" o campo, numa cena que se tornou comum em 2002.

A seleção brasileira vivia sob a pressão dos anunciantes, sobretudo a Nike, que tinha jogadores brasileiros como seus contratados. Além disso, os interesses da FIFA e da CBF sinalizaram para forjar a vitória brasileira a qualquer custo. Isto é ilegal. Não existe vitória a qualquer custo, e mesmo os melhores times sempre vivem fases de derrotas em sua trajetória. Isto é natural.

Portanto, não dá para comprar 2002 a 1958. Na Copa de 1958, além do ineditismo da vitória do time brasileiro, havia espontaneidade e boas jogadas. Não era uma copa motivada por interesses comerciais obsessivos, e o que se viu em 2002 foi praticamente uma jogada pessoal de Ricardo Teixeira, driblando a ética e causando a derrota estranhamente sucessiva de seleções europeias mais fortes.

Até mesmo o Brasil X Inglaterra foi vergonhoso. A seleção brasileira jogou mal, Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e levou cartão vermelho e tudo indicava uma derrota da "nossa" seleção (ou melhor, a seleção de Ricardo Teixeira). Nada disso. De repente, o segundo tempo tornou-se praticamente uma encenação e os jogadores ingleses tão somente "liberaram" o campo para Ronaldo Nazário, o único craque de uma seleção de inseguros, correr para o gol sem ser sequer ameaçado pelos adversários.

Tudo muito estranho. De repente outros times se deixaram perder, o que mostra que a Copa de 2002 nem de longe foi competitiva. E a "vitória" da "nossa" seleção foi feita mais pelas manobras de bastidor como aquelas que a seleção da França fez na copa anterior, a de 1998, quando o país europeu foi sede.

A Copa do Mundo de 2002, sem competitividade, sempre "liberando" o espaço para uma seleção insegura e sem cumplicidade, não deve ser lembrada. Aquele "penta" foi uma conquista comprada, desde as eliminatórias, e não existe coisa mais desagradável do que obter vantagem dessa maneira.

A Copa do Mundo de 2002 foi a copa da CBF, da FIFA, da Rede Globo. Eles é que comemoram o penta obtido pela esperteza e pelos dribles éticos. O povo brasileiro foi iludido com a pregação midiática. E muita gente foi comemorar uma vitória que não é realmente sua, não bastasse o futebol ser tão somente um lazer, mas que é superestimado pela publicidade midiática.

Fiquemos com as vitórias de 1958 e 1962, as únicas em que o time brasileiro venceu com méritos naturais.

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