sábado, 2 de junho de 2012

"CULTURA DE ESGOTO" NÃO É PROGRESSISTA


Por Alexandre Figueiredo

A velha grande mídia estabelece um modelo de "cultura popular" que parte da opinião pública média de esquerda legitima como se fosse a "cultura de verdade".

Ignoram essas pessoas que essa pseudo-cultura, midiática e mercadológica, trabalha o chamado "mau gosto" não como uma forma de transformar os valores sociais, mas antes domesticar as classes populares reduzindo-as a uma caricatura de si mesmas.

Não bastasse isso, essa "cultura popular" enriquece empresários do entretenimento que não podem ser confundidos com as próprias classes populares. Pouco importa se esses empresários nasceram pobres: a pobreza deles é passado já superado.

Esses empresários, que estão por trás dos "artistas populares" que, sob o signo da cafonice, do brega e do "mau gosto", como agenciadores, patrocinadores e, não raro, verdadeiros chefões dos próprios conjuntos musicais, em muitos casos detendo até mesmo o direito pelo nome, podem até evitar aparecer de ternos e gravatas, quase sempre usando jeans surrado, camiseta furada, tênis velho e, quando muito, um paletó velho e amassado.

Mas tudo isso é só para impressionar. E para mostrar aos incautos, ou mesmo àqueles que possuem uma compreensão míope da realidade, o quanto eles "também são pobrezinhos". Mas, por debaixo dos panos, eles controlam seus "artistas-clientes" com mãos de ferro, como verdadeiros donos de suas carreiras.

Eles estão em várias partes do país. Dos donos de forró-brega aos tutores de duplas de "sertanejo universitário". Incluem também donos de aparelhagens, donos de blocos de trio de Salvador e DJs-empresários do "funk carioca". E manobram seus "artistas" como bem entendem.

E contam com o claro apoio da grande mídia, do contrário que alardeiam, com certo desespero, muitos intelectuais. Rede Globo, Veja, Caras, Folha, todos apoiam essa "cultura popular" que nada tem da imagem falsa mas quase unânime de "discriminada pela mídia".

Essa pseudo-cultura é apoiada pela velha mídia desde seus Estados de origem, e se, no plano nacional, não chega a figurar em Caras, vai para as páginas de Contigo, dando sempre um jeitinho de receber o apoio até mesmo de Roberto Civita.

Portanto, a "mídia de esgoto" não poderia deixar de apoiar essa "cultura de esgoto". Esta pseudo-cultura é muito diferente da rica cultura que as classes populares produziram em sua história, porque o brega-popularesco transforma o povo pobre em caricatura, em paródia de si mesmos. E isso não é felicidade, é manobra da grande mídia. E, portanto, o brega-popularesco nada tem de progressista.

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