sábado, 30 de junho de 2012

BREGA É O GOLPISMO CULTURAL BRASILEIRO


Por Alexandre Figueiredo

Um sutil golpismo cultural está em curso há um bom tempo.Mas poucos notaram que há uma intelectualidade disposta a elitizar o debate público, enquanto tenta distrair as classes populares em torno do mais medíocre entretenimento brega-popularesco?

Tentam dizer que isso não tem a ver com velha mídia, com mercado, mas tem. E muito. Afinal, os pontos de vista dos defensores do brega-popularesco transmitidos por gente como Pedro Alexandre Sanches e Paulo César Araújo em nada assustam os barões da grande mídia.

Muito pelo contrário, os barões da grande mídia até ficam felizes com essa abordagem. Afinal, muita gente fatura por dentro ou por fora dessa pseudo-cultura "popular". Há um empresariado que está por trás dessa "cultura popular", que não pode ser creditado como "gente pobre" ou "pobres emancipados".

Além disso, há oligarquias defendendo o brega com muito gosto. Alguém não suspeita disso? Não existe mera coincidência e não existe invasão da mídia onde invasor e invadidos ficam felizes em clima de festa. O brega-popularesco é, mesmo, o golpismo cultural brasileiro, para domesticar as classes populares.

A ditadura militar apoiou o brega-popularesco, seus defensores civis financiaram com gosto toda sua estrutura empresarial e midiática, mas um sinistro Paulo César Araújo e seu semblante que não inspira a menor confiança, no entanto tentou pregar o contrário e muita gente acreditou. Tudo porque o próprio Paulo César Araújo se passa por "coitadinho", como os ídolos cafonas que defende.

O brega-popularesco é artisticamente medíocre. Não possui valor cultural nem identidade brasileira relevantes. E, quando assimila influências estrangeiras, é da forma mais submissa possível. E pouco importa se as gravadoras e rádios são "regionais", as agências de famosos são quase "provincianas" e seus empresários usam tênis surrados, paletós velhos e jeans rasgados.

A estrutura comercial do brega-popularesco é tão canhestra quanto o da velha grande mídia. E seus empresários são tão ricos que já compram espaços de divulgação e apresentação no exterior para nomes como Michel Teló, como tentaram fazer com Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires e Ivete Sangalo, ou mesmo com funqueiros surgidos do nada que nem os cariocas conhecem, mas de repente vão fazer turnês na Europa (em biroscas europeias, diga-se de passagem).

Afinal, não há como imaginar que o que faz esses ídolos irem para o exterior é o financiamento modesto de esmolas de rua ou doações de ONGs. E nem uma hipotética ajuda generosa de estrangeiros para acolher os nossos "coitadinhos" brasileiros, que lotam plateias com facilidade mas que 'levam pau da crítica". Se bem que hoje esses "coitadinhos" quase nunca recebem avaliações negativas da crítica especializada.

A mediocrização cultural é gritante. Valores artísticos, sociais, morais, éticos etc são bastante duvidosos. O "mau gosto" não pode ser visto como uma revolução provocativa, deveria, sim, ser visto com um meio de transformar o povo pobre numa massa de conformados, onde as melhorias de vida só se limitam ao básico tolerado pelas regras econômicas e institucionais do neoliberalismo.

"Mau gosto" não é revolução, não é rebelião nem ousadia. É, simplesmente, o retrato da inferioridade social do povo pobre. E não dá para dizer que o povo pobre gosta disso ou daquilo, porque é a velha grande mídia que o obriga a "gostar" disso tudo. "Gostar", no sentido da propaganda consumista.

O país há muito tempo sofre essa degradação cultural. Mas a intelectualidade festiva quer que isso seja o futuro de nossa cultura. Pior, já estão defendendo a hegemonia do "mau gosto" até mesmo para a classe média e para os universitários. Enquanto isso, a cultura de verdade perde cada vez seus próprios espaços e a sua saudável influência.

Estamos perdidos, mas a intelectualidade festiva e divinizada acha isso uma maravilha. Eles não têm a perder, dentro de seus apartamentos e seu luxo de elite. E ainda insistem em fazer proselitismo na mídia de esquerda, com os mesmos argumentos que agradam muito aos barões da velha grande mídia. O que um Pedro Alexandre Sanches diz hoje estará na telinha da Globo e nas páginas da Folha de São Paulo logo amanhã.

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