terça-feira, 12 de junho de 2012

AINDA SOBRE AS FALSAS-SOLTEIRAS DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Até pouco tempo atrás, qualquer musa vulgar se autoproclamava "solteiríssima". Era um eufemismo para dizer que houve uma briga com o namorado ou marido e a tal "musa" resolveu "dar um tempo sozinha".

No entanto, a manobra, descobriu-se, nunca passou de um recurso publicitário para vender revistas em que cada uma dessas "boazudas" estava na capa, ou para promover o êxito de eventos patrocinados por escolas de samba e times de futebol.

Desde que, há dez anos atrás, as chamadas Sheilas do Tchan, nas revistas de celebridades, diziam reclamar de que os homens "tinham medo delas" - quando, nos bastidores, sabia-se que Sheila Mello era namoradeira e Scheila Carvalho já estava casada - , a falsa solteirice das "musas populares" foi uma tendência do mercado para estimular a líbido do imaginário masculino, ou melhor, da falta de imaginário, porque as "fantasias sexuais" já estavam praticamente "fabricadas e embaladas" nas revistas "sensuais", na imprensa "popular" e nos sítios da Internet. E seu público-alvo não é conhecido pelo exercício de pensamento para refletir sobre a realidade, muito menos para criar fantasias sexuais com suas "musas".

Outro truque também foi que tais "musas", geralmente namoradas de homens considerados razoavelmente privilegiados - esportistas, policiais, membros de reality shows e cantores brega-popularescos - , chegaram a dizer, em determinadas épocas, que desejavam "rapazes legais" e "não necessariamente bonitos".

Era a senha para rapazes de pouco status num país machista - de porte físico e estilo de vida mais modestos, apesar de mais intelectualizados - serem "atraídos" para a armadilha midiática de promover "musas" que tais rapazes nunca desejariam, mas que corriam o risco de estarem associados a elas, dentro daquela perspectiva "sem preconceitos" feita para ampliar os mercados do brega-popularesco.

Imagine uma "mulher-fruta" assediando um rapaz que fica em casa nas noites de fins de semana, lendo Noam Chomsky e tirinhas da Mafalda, ouvindo CDs do Dinosaur Jr. e assistindo ao seriado Big Bang Theory no DVD? Pura fantasia de empresários do entretenimento querendo empurrar os chamados nerds (da linha Vingança dos Nerds, não a linha "judão-cervejão" do Se Beber Não Case) para as musas vulgares.

Sabe-se muito bem que um nerd autêntico iria preferir mais uma jornalista de TV ou uma atriz como Dakota Fanning do que uma "mulher-fruta". Tal constatação é até motivo para rapazes assim sofrerem bullying de internautas troleiros - estes, na verdade, "pegadores" frustrados e punheteiros obsessivos - que não suportam que suas grotescas  "musas" de glúteos e peitos aumentados pelo silicone sejam criticadas por algum outro homem.

Mas depois viu-se que essa campanha não passava de farsa. É só ver quem eram os ex-namorados das musas da vulgaridade feminina: na melhor das hipóteses, atletas, jogadores de futebol, cantores de "sertanejo" e "pagode romântico", funqueiros, policiais, empresários do comércio suburbano e integrantes de reality shows. Mas, na pior das hipóteses, incluía até mesmo banqueiros de bicho, traficantes, jagunços, milicianos e funqueiros de "proibidão".

Ou seja, é muito homem durão para mulheres que dizem procurar "caras legais". Quando a esmola é tanta, o santo desconfia. O que elas querem quando passam a "cobiçar homens modestos" é um mistério. Forma de causar ciúme de namorados ou maridos, às custas de rapazes considerados inofensivos? Talvez. Em todo caso os fatos dão um jeitinho para mostrar o quanto essas "solteiríssimas" estão comprometidas e nada querem com os rapazes de perfil mais pacato.

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