segunda-feira, 11 de junho de 2012

AGORA TODOS PASSARAM A "DEFENDER" A REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Depois de Fernando Henrique Cardoso dizer que defende a "regulação democrática" dos meios de comunicação, outro personagem dos meios político-midiáticos conservadores também se diz "a favor" da chamada Lei da Mídia.

Sim, trata-se de Roberto Civita, o CEO do Grupo Abril, que ainda não foi convocado para explicar na CPI do Carlinhos Cachoeira as ligações de seu pupilo Policarpo Jr. com o bicheiro goiano, mas se prontificou a participar num seminário promovido pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP).

Ele estava lá, junto a demais executivos no V Congresso da Indústria da Comunicação, realizado há poucos dias em São Paulo. E, diante de 1350 profissionais presentes, dentro de um evento que visava defender a "liberdade absoluta de expressão", sem qualquer controle institucional, Roberto Civita "admite" que é necessário haver alguma regulação nos meios de comunicação. Eis a frase do barão midiático:

“É preciso haver um equilíbrio nessa questão. Aqui foi dito por diversas vezes que liberdade implica em responsabilidade. Mas não se pode obrigar ninguém a ser responsável. Não temos como ensinar isso. Portanto, sou a favor de certo tipo de regulamentação”.

Com toda a certeza, Roberto Civita, a exemplo do famoso sociólogo e ex-presidente, não explicou  que tipo de regulação midiática quer fazer, embora com toda a certeza a sua querida revista Veja, apesar de ser bastante encrenqueira, fique intocada, se depender dos interesses de seu empresário.

De repente, todo mundo passou a ser "a favor" da regulação da mídia. Lembra o que ocorreu há 50 anos atrás, quando todo mundo era "a favor" da reforma agrária. Naqueles tempos, ainda com o presidente João Goulart "domado" pelo presidente do Conselho de Ministros - que, só naquele 1962, teve três titulares, Tancredo Neves, Francisco Brochado da Rocha e Hermes Lima - , os conservadores diziam defender a reforma agrária com a condição de que os proprietários de terra devam ser indenizados "com justiça".

Se até os militantes do "funk carioca" - estilo que trabalha em função de baixarias e sensacionalismo - dizem defender a regulação da mídia, é bom desconfiar de tanta gente "defendendo" uma causa que naturalmente vai contra seus interesses. E mostra o quanto defender uma causa progressista, quando ela está no enunciado e sob risco de virar letra morta, é muito fácil.

A sociedade é que precisa se despertar e cobrar do governo de Dilma Rousseff uma Lei da Mídia atuante, que vá além de enunciados superficiais. Se limitar a vagas e imprecisas concepções de "cidadania" e "bem-estar social" só tornará a causa natimorta, quando muito restrita apenas a alguns aspectos pontuais, como limitar o mau humor dos comentaristas políticos de televisão.

De que adianta isso? Uma lei que se limita apenas a moderar os comentários agressivos dos chamados "calunistas", mas deixa Valesca Popozuda deitar na mesa de um apresentador de TV, de preferência com a "poupança" para cima? Será inútil.

Ou então uma lei que obriga Arnaldo Jabor a trocar seus pitacos "urubólogos" de política por memórias de seus tempos de cineasta e líder estudantil, mas que determina o padrão "cidadão" de jornalismo um engodo que mistura noticiários educativos com programas "mundo cão", alternando notícias pitorescas de crimes com outras sobre Educação e cidadania? Isso também será inútil.

Por isso é preciso um preparo maior da sociedade para que não embarque em causas distorcidas. Há muita gente que dirá defender a regulação da mídia, mas que puxará o tapete para seus pés. Defenderá uma "Lei da Mídia" que proteja seus interesses pessoais. Se isso ocorrer, a Lei da Mídia virará letra morta, e deixará de estar em sintonia com a sociedade para atender àqueles que já detém privilégios no poderio da mídia e do entretenimento do país.

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