sexta-feira, 4 de maio de 2012

A VERDADE SOBRE A TAL "INDÚSTRIA DA MÚSICA"


Por Alexandre Figueiredo

É estarrecedor o quanto certos intelectuais dotados de muita influência e visibilidade falem numa tal de "indústria da música" como se fosse um movimento rebelde revolucionário e transformador.

Este blogue, que anda desmascarando, um a um, qualquer discurso dado por esses intelectuais, motivo de muitos aplausos desprovidos de análise crítica de plateias desavisadas, continuará analisando as contradições desse discurso que andou comovendo multidões, em prol de um mercado que esses intelectuais defendem de forma enrustida e dissimulada.

O que se vê, na defesa da mediocridade cultural brasileira - não só na música, mas enfatizada nela - é na verdade não a defesa de um "folclore brasileiro mais moderno e interconectado com o mundo", mas tão somente um mercado que enriquece setores da sociedade que, sob o rótulo de "periferia", esconde muita gente mais rica, financeiramente, do que qualquer suposto burguês da MPB "biscoito fino".

A defesa da suposta "cultura das periferias" alimenta, na verdade, um mercado poderoso, que movimenta bilhões de reais a cada mês em todo o país e cujas forças interessadas pouco têm a ver com a "gente humilde" que o discurso intelectual atribui com insistência a essa pseudo-cultura.

Afinal, só os barões da grande mídia - é bom deixar claro que o tecnobrega agora rola livre, leve e solto nas telas da Globo e nas páginas de Folha, e ainda rola o "funk carioca" no Caldeirão do Huck (ninguém tomou consciência de onde surgiu a gíria funqueira "É o caldeirão"?) - , as indústrias de cerveja e as redes de atacado e varejo, incluindo as poderosas redes de eletrodomésticos, investem pesado na divulgação dos "tão queridos" ídolos do brega-popularesco.

Mas há também as empresas do ramo de entretenimento, proprietárias de "artistas menores das periferias" - como são chamados os ídolos neo-bregas e pós-bregas que não atingiram a pseudo-sofisticação de um Alexandre Pires ou de um Chitãozinho & Xororó - , cujos donos já não podem mais serem enquadrados nas classes pobres.

Aqui se enquadram os DJs-empresários de "funk", os donos de aparelhagens do tecnobrega ou mesmo outros empresários ligados ao "pagodão" baiano, ao "sertanejo universitário" e ao forró-brega. Esses empresários nem de longe podem ser considerados "pobres", porque a origem humilde de vários deles é coisa do passado, já foi um fato consumado há tempos.

Equiparar um DJ Marlboro ou um Cal Adan a um engraxate de rua ou a um bóia-fria não faz mais sentido. Até porque vários desses "pequenos (?) empresários" controlam seus intérpretes com mão de ferro, e muitos dos MCs funqueiros tiveram sua "personalidade" formada pelos seus empresários. Tem até funqueira que banca a falsa solteirona na mídia, mas cujo marido anda escondido por aí.

Há também as indústrias de festas noturnas, festas de aniversários e outros processos de ordem econômica, que não raro apostam na poluição sonora, com músicas de péssimo gosto estético e temático, boa parte delas com temas machistas, com estímulo ao alcoolismo, à infidelidade conjugal, à depreciação da mulher.

O maior sucesso do É O Tchan, "Segura o Tchan", estimula o estupro. O recente sucesso do grupo de forró-brega Garota Safada, tomado de empréstimo pelo "sertanejo-pegação", "Vou Zuar e Vou Beber", é um estímulo à embriaguez no volante. Já os sucessos do "funk carioca" e do "pagodão" baiano mostram temas machistas que chegam ao estímulo à violência conjugal.

Mas, fazer o quê? A intelectualidade "divinizada", de um cafajeste Roberto Albergaria, da bonachona Mônica Neves Leme e um transtornado Pedro Alexandre Sanches botam tudo isso na conta de um Gregório de Matos que, morto há mais de 310 anos, não tem condições de reclamar.

Por isso essa "fantástica indústria da música", que ainda por cima inclui não só uma derrubada dos princípios de direitos autorais - num extremo oposto à tirania do ECAD, mas não menos tirânico ainda, porque em ambos os casos os verdadeiros artistas não veem a cor do dinheiro pelo que fazem - mas uma derrubada das normas trabalhistas, praticamente escravizando os músicos.

Portanto, esse discurso intelectual só beneficia quem lucra por trás dessa "cultura das periferias". E é gente que, sozinha, têm muito mais poderio econômico do que toda a família Buarque de Hollanda junta.

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