domingo, 13 de maio de 2012

VEJA FAZ POSE DE "VÍTIMA"


Por Alexandre Figueiredo

Acuada e decadente, a revista Veja ainda mostra seus surtos de reacionarismo extremo. Depois do tuitaço de ontem, que fez a hashtag #VejaTemMedo - expressão que ficou valendo, diante de outros tipo #VejaComMedo ou #VejaSemMedo que não pegaram - ficar no topo dos tópicos de tendências no Twitter durante pelo menos três horas, entre 17 e 20 horas.

Enquanto isso, o sítio de Veja continua fora do ar desde, pelo menos, a última sexta-feira, dia em que foi feita a consulta por este que lhes escreve. A revista já começa a sentir as pressões da opinião pública e recorre aos demais veículos da velha grande mídia para lhe prestarem solidariedade.

Desse modo, tornou-se antológico um editorial de O Globo, tentando nos fazer crer que Roberto Civita não é Rupert Murdoch. Mas, se depender do que escreveu Mino Carta, isso até que faz sentido. Até porque Civita mostrou-se pior do que Murdoch porque, com toda a prepotência do homem da Fox, ele não chegava ao ponto, no caso da Grã-Bretanha, onde rolou o escândalo do jornal News Of The World, hoje extinto, de estabelecer um poder paralelo seja com a monarquia britânica, seja com o Parlamento daquele país.

E Veja, na edição desta semana - creditada para o próximo dia 16, como é de praxe nas edições lançadas com antecedência - , pôs como capa a matéria presunçosa "A imprensa acende a luz", e Veja, comendo no prato em que cuspiu, "evoca" a Constituição Federal, citando o artigo 220, referente à liberdade de pensamento e informação.

Mas sabemos que isso é pura demagogia, pois Veja foi o veículo da imprensa brasileira que mais descumpriu os princípios constitucionais. E a própria revista já combate outros direitos constitucionais, como o de formar sindicatos, associações de moradores, entidades estudantis, associações de trabalhadores rurais, donas de casa, comunidades indígenas etc.

A esse direito constitucionalmente garantido, dentro dos verdadeiros princípios democráticos, Veja no entanto sempre associa à corrupção e ao parasitismo estatal. Para seus comentaristas, só os patrões podem formar sindicatos, e as associações só podem ser formadas por pessoas cujo perfil "libertário" não difere muito da esperta blogueira Yoani Sanchez, estereótipo de ativista social promovido pela velha mídia direitista mundial.

Fora isso, Veja combate violentamente a Constituição Federal, rasgando-a com muita fúria, condenando de forma intolerante os movimentos sociais. Ora, o Ministério Público Federal é, por determinação da Lei Magna, representante judicial das populações indígenas, e no entanto os índios, para Veja, não passam de vagabundos e parasitas.

A Veja que demoniza os movimentos sociais é a que santifica os investidores estrangeiros. Quem dera, para Veja, que os 26 Estados e o Distrito Federal da federação brasileira sejam absorvidos pelos EUA. Para Veja, se a soberania brasileira for jogada no lixo, seus comentaristas pouco importam. Até vão comemorar.

Pois o inferno astral pelo qual passa a revista não vai acabar com essa postura arrogante da edição desta semana - em que os opositores de Veja são sempre tidos como "robôs petralhas" ou "petistas radicais", quando a oposição vai muito além e longe de sectarismos partidários - e talvez venha a piorar nos próximos instantes.

Afinal, a opinião pública pressiona e Veja só estará agindo com a arrogância e o mau humor de sempre. A revista só complica sua situação, com as denúncias comprovadas pelas gravações da Polícia Federal e pelos rumos das investigações que, muito provavelmente, só irão reforçar ainda mais as acusações contra a revista, seu jornalista Policarpo Jr. e o empresário Roberto Civita, do Grupo Abril.

Portanto, Veja, com esta postura de pretensa vítima de ataques, não faz mais do que repetir o mesmo reacionarismo. Isso não vai provar sua inocência. Pelo contrário, mostra o quanto Veja está com medo, e, depois da festa do Twitter - eu me diverti muito com o tuitaço de ontem - , a revista terá que enfrentar a sua própria catástrofe.

Um dos pontos altos, para mim, do tuitaço foi quando a internauta Marinilda Carvalho do Observatório da Imprensa escreveu, sempre com o termo #VejaTemMedo na mensagem, sobre a dificudade de arrumar sua própria casa. Eu respondi, com o mesmo termo em uso (para facilitar a busca), que arrumar a casa dela é muito fácil, difícil é tirar a sujeira da redação da revista Veja. Ela gostou e retuitou minha mensagem.

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