segunda-feira, 7 de maio de 2012

VEJA E SEUS ANÉIS APERTADOS


Por Alexandre Figueiredo

A revista Veja, encrencada até os miolos - e até os neurônios, conforme indica o furioso Reinaldo Azevedo - , despejou uma capa, na sua edição do dia 09 de maio (mas nas bancas no último fim de semana), com uma charge de Aroeira com os envolvidos no escândalo do banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira.

Estão lá o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que por ser do PT é hostilizado pela velha grande mídia, sobretudo Veja. No alto, há também o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, aliado do empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta Construtora, "colaboradora" do bicheiro goiano.

Mas, como Veja precisa se livrar dos "anéis" que lhes apertam os dedos, o senador Demóstenes Torres, um dos fundadores do DEM e já fora do partido e o governador goiano Marconi Perillo, do PSDB, também aparecem na charge.

Só não aparece na capa o senador mineiro Aécio Neves, também do PSDB, mas muito querido pela velha grande mídia - embora o também conservador Zero Hora o tenha citado - e que havia nomeado uma prima  de Carlinhos Cachoeira para um cargo no governo mineiro, a pedido de Demóstenes Torres, anos atrás.

Da mesma forma, também não aparece, por razões muito mais do que óbvias, o proprietário do Grupo Abril, que edita Veja, o empresário Roberto Civita, e seu colaborador Policarpo Jr., intermediado por Demóstenes e Cachoeira para atacar seus desafetos na revista, conforme sugere uma gravação divulgada pela Polícia Federal.

Mas Veja já começa a ser citada nos bate-papos cotidianos - até meu pai, que nos anos 90, assinava Veja, já está sabendo do caso - e até mesmo a ombudswoman da Folha, Suzana Singer, teve que admitir que existe o silêncio da grande mídia em relação ao envolvimento de seus veículos com o esquema do bicheiro goiano.

Embora Suzana tenha poupado a Folha da encrenca e achar que "não há ilegalidade" no envolvimento dos jornalistas de Veja com Carlinhos Cachoeira - como se negociar ataques jornalísticos fosse o mesmo que uma simples amizade entre aliados - , isso mostra o quanto a famosa revista da Abril já começa a complicar sua situação.

Em muitos outros casos, Veja já estava encrencada só porque condenava ferozmente os movimentos sociais. Até as populações indígenas - cuja importância histórica faz com que o Ministério Público Federal assuma representação legal dos interesses dos índios, que podem acioná-lo assim que acharem necessário - são violentamente atacadas pela revista, que também não aceita a relevância legal dos movimentos das classes trabalhadoras, estudantis e outros ativismos sociais feitos dentro da normalidade democrática.

Para Veja, só os grandes empresários, os magnatas, os investidores estrangeiros prestam. Cidadania, para a revista, é somente consumo e superávit econômico. Empresa pública, para Veja, só funciona bem quando privatizada, de preferência com algum estrangeiro metido no consórcio vencedor do leilão. Cultura, para ela, não é a verdadeira cultura, mas os "fenômenos" que aparecem na TV e no rádio, e quando são expressões de vanguarda, o mau humor de Veja é notório.

VEJA: O PESADELO EM FORMA DE REVISTA

Mas isso é fichinha diante de fatos estarrecedores como a participação de sócios fascistas sul-africanos na Veja, além das famigeradas reporcagens sobre saúde, que não são mais do que um relato de duvidosos modismos médicos ou de propaganda de remédios falsamente eficazes.

É como se Veja quisesse que seus leitores tomem mais remédios, façam dietas duvidosas, apelem para a auto-medicação, o que é um perigo para a saúde das pessoas. Algo que, nos EUA, já custou as vidas de Heath Ledger e Brittany Murphy, só para citar casos mais recentes.

Só esse medantismo medicinal de Veja preocupa bastante. Nem a editoria "hospitalar" da Seleções do Reader's Digest chega a esse ponto. O Reader's Digest tem perfil editorial bastante conservador, mas é um veículo honesto e ético, não iria cometer a covardia que a "indispensável" Veja comete em seu "jornalístico cumpridor de princípios éticos".

Veja, conclui-se, é o pesadelo em forma de revista. Não dá para respirar tranquilo lendo suas páginas, dotadas do mais descarado anti-jornalismo, com um panfletarismo extremamente reacionário e com um denuncismo que beira ao sensacionalismo mais rabugento. E que ainda permite que um Reinaldo Azevedo escreva artigos com uma raiva que já custou a reputação do colega Diogo Mainardi.

E, agora, com essas associações com o crime organizado, a situação da revista se complica mais. Roberto Civita e seu pupilo Policarpo Jr. deveriam de qualquer maneira serem convocados para depor na CPI, uma vez que as denúncias que citam os dois são muito graves. Sem o depoimento deles, a CPI perde totalmente o sentido.

A revista Veja já poderia trocar o lema "Imperdível", que já substituiu o "Indispensável", pelo "Insustentável".

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