domingo, 13 de maio de 2012

A SITUAÇÃO DOS ANUNCIANTES NA REVISTA VEJA


Por Alexandre Figueiredo

A decadência da revista Veja, cada vez mais visível, é um bom sinal para os anunciantes que venham a investir em espaços publicitários na lamentável revista do Grupo Abril.

"Lamentável"? Isso não seria adjetivação dentro de um texto considerado objetivo? Não, pois em se tratando de Veja e suas práticas abjetas e criminosas - confirmadas em gravações divulgadas pela Polícia Federal entre Policarpo Jr. e a turma de Carlinhos Cachoeira - , pode se dizer que Veja é lamentável, como se já não bastasse o anti-jornalismo cometido pela publicação.

E isso pode refletir nos anunciantes. Afinal, são empresas que precisam vender seus produtos, e usam veículos de grande projeção ao público para atingirem sua natural finalidade com êxito. E durante anos se aproveitaram de uma revista de grande circulação para se tornarem, por justiça, bem sucedidos nisso.

Só que, agora, eles encontram uma revista que, em que pese sua grande circulação e seu poderio midiático, perde credibilidade a cada dia. Não vale a blindagem da grande mídia e seus comentaristas. Isso não fará de Veja um veículo "injustiçado" nem salvará qualquer credibilidade, pois as denúncias contra Veja são muito mais fortes do que os raivosos artigos que a urubologia lança em defesa da revista.

Assim como no caso do Big Brother Brasil da Rede Globo de Televisão, em que os anunciantes foram postos à berlinda depois da repercussão de um incidente infeliz no programa, agora deveremos pensar no mesmo quando uma revista é acusada de associação com o crime organizado.

Como os anunciantes se darão nessa? Eles terão também sua credibilidade em risco por anunciarem seus produtos e serviços na revista Veja? Como o mercado se comportará com isso? E como se darão relações entre os anunciantes e o Grupo Abril? E como as instituições ligadas ao Governo Federal, hoje comandado pela presidenta Dilma Rousseff e que também anunciam nos veículos do Grupo Abril, ficarão nessa situação, com a retumbante decadência de Veja?

Não dá para dar uma resposta específica. Mas sabe-se que a situação se complicará, de alguma forma, aos anunciantes. Creio que já começa a haver uma preocupação de vários deles diante do risco de anunciar numa revista envolvida em graves denúncias, amplamente divulgadas sobretudo pela Carta Capital e Rede Record.

De fato, os anunciantes, em sua maioria, se situam mais como vítimas do que como cúmplices no caso. Mas suas imagens podem ser arranhadas ao anunciarem em Veja. Até porque, mesmo agindo como vítimas, podem ser erroneamente vistas como cúmplices por muitos consumidores, clientes e fregueses. O que pode causar prejuízo para empresas financeiramente menos prósperas.

Na publicidade, pensa-se a curto, longo e médio prazos. As ações mais prudentes são aquelas que enxergam benefícios a longo prazos. Não é fácil prevê-los, uma vez que são as ações de curto prazo as que garantem retorno imediato, que rende mais dinheiro em menos tempo. Mas, no caso de Veja, a maior visibilidade e o retorno fácil, a curto prazo, podem representar, a longo prazo, na inversão dramática desses resultados, o que pode ser fatal para muitos anunciantes.

Portanto, a grave situação de Veja também mexe inevitavelmente com o mercado publicitário. Seus efeitos podem ser devastadores. Daqui a pouco, será arriscado demais vender seus produtos numa revista que atua da forma mais desonesta e reacionária possível. Pode dar em prejuízo.

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