segunda-feira, 7 de maio de 2012

SÍNDROME DE "1964" AFETA ADEPTOS DE "2014" E "2016"


Por Alexandre Figueiredo

O que se nota ultimamente, seja nas ruas, seja nas redes sociais da Internet, é um crescente reacionarismo que envolve de internautas a autoridades, quando projetos e valores associados a um modelo de país a ser exibido durante os eventos de 2014 e 2016 (Copa do Mundo e Olimpíadas) passam a receber críticas.

Seja a mobilidade urbana, sejam os esportes, o entretenimento ou mesmo às obras de infraestrutura, de repente nada pode ser criticado. Uma vez criticado, as reações variam de comentários desbocados de reitores de universidades ou políticos até a criação de blogues ofensivos que clonem de forma leviana textos de discordantes com os trechos mais incômodos assinalados em vermelho.

Não bastasse isso, há também o festival de xingações e baixarias que ocorrem nos fóruns de Internet, com direito a humilhações gratuita e impunemente feitas, sobretudo com os fakes, pseudônimos criados quando a Internet garante o anonimato ou até mesmo o pseudonominato.

São reações que, variando conforme o nível, se aproximam daquela mesma perspectiva "desenvolvimentista" dos artífices do golpe de 1964, que, já implantando o AI-5 para sufocar os protestos populares que haviam até 1968, planejavam um Brasil domesticado e plastificado para o turismo e para o progresso meramente econômico do chamado "milagre brasileiro".

Mesmo sob um verniz "progressista" e ancorado sobretudo pelas ações políticas do PMDB e PSD, o novo "milagre brasileiro" busca os mesmos paradigmas de cultura, mobilidade urbana, esportes, política, economia e tecnologia dos tempos do general Emílio Garrastazu Médici. Mesmo a concepção de "cidadania" e "justiça social", mais uma conversa para boi dormir, não escapa a essa visão.

São medidas autoritárias, que favorecem tecnocratas, empresários, políticos, fazendeiros e dirigentes esportivos. Embora eles falem que tais medidas "favorecem definitivamente o povo brasileiro", deixam claro que, quando previnem a opinião pública dos "sacrifícios" que o povo irá sofrer, que seus projetos e procedimentos nada têm de interesse público.

O povo é que tem que sofrer e aplaudir o que as autoridades e tecnocratas impõem. E se reclamarmos, na Internet, ainda recebemos mensagens grosseiras de internautas que, crentes na sua impunidade, desmoralizam e humilham quem quer que seja, enquanto enganam outras pessoas com seu pseudo-pacifismo (até escolher, entre seus "amigos", os próximos a serem também humilhados numa nova discordância).

Tudo isso lembra o quadro de 1970-1974, quando a visão de "progresso brasileiro" vinha sempre do monopólio decisivo dos escritórios. Sempre os "estudos", sempre as "pesquisas". Nada de interesse público. O "interesse público" de que se fala oficialmente é tão somente uma desculpa para projetos que impõem sacrifícios pesados ao povo, em nome de supostos benefícios que, na melhor das hipóteses, são meramente paliativos.

E lembra também os anos 90, quando, nos primeiros anos de Internet no Brasil, boa parte dos internautas se incomodava com opiniões mais críticas, como mini-Mervais incomodados com a decadência do país domesticado e tecnocrático em que acreditam.

É com muito esforço que o outro lado da opinião pública - aquele que não se move pela publicidade enganosa nem pela demagogia político-tecnocrática e defende, de fato, o interesse público - tenta reverter a situação, mas não é fácil. Os filhotes do golpe de 1964 estão aí, já na terceira ou quarta geração, fazendo trolagem para tentar calar as vozes que soariam incômodas para a politicagem de 2014 e 2016.

E eles lançam mais uma vez a visão demagógica de que o Brasil precisa ficar calado para se progredir e entrar no Primeiro Mundo. Muita gente acredita nessa lorota. Até que novas "primaveras" e "ocupações", tais quais acontecem no Primeiro Mundo, venham à tona, para desespero da "galera irada"...

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