quinta-feira, 24 de maio de 2012

O "JORNALISMO" SEM LEI E SUAS MATIZES


Por Alexandre Figueiredo

O jornalismo não está acima da sociedade, mas a serviço dela. Durante muito tempo, porém, as duas ideias, naturalmente opostas, eram confundidas por um discurso corporativista que, anos atrás, deslumbrava a muitos.

Era uma época em que o cidadão comum não precisava pensar, mas pautar sua vida dentro da linha editorial de seu veículo midiático preferido. Os jornalistas eram envoltos numa mística heróica que os fazia imunes a qualquer escândalo. Bastava ter visibilidade, exercer diariamente algo parecido com jornalismo e, pronto, virava o "salvador da humanidade".

Hoje, porém, os tempos mudam, e até mesmo o Grupo Bandeirantes de Comunicação, que costumava levantar a bandeira do "bom jornalismo", como se através desse ofício se realizasse a Revolução Francesa no Brasil, andou sofrendo fortíssimos abalos. O caso de Bóris Casoy contra os lixeiros, o CQC e seu então integrante Rafinha Bastos, e, agora, o caso do Brasil Urgente, mostram o quanto a mística jornalística da empresa dos Saad anda muito arranhada.

O Brasil Urgente mostrou um erro recente em que a repórter Mirella Cunha insistia numa acusação não confirmada de estupro de um jovem assaltante detido. O rapaz alegava inocência desta acusação, mas a repórter se julgou acima do poder policial e insistiu na tese. Transmitida em rede nacional, a notícia repercutiu negativamente em todo o país.

E isso ocorre em contextos variados de decadência midiática. No âmbito estadual, a Bahia viveu muitos anos de "jornalismo sem lei", sobretudo pelo populismo rasteiro de Raimundo Varela e pela canastrice pedante de Mário Kertèsz, filhote político de Antônio Carlos Magalhães.

Este, juntamente com Marcos Medrado (o político "pedetista" que vota com os latifundiários), determinavam as regras e os padrões de radialismo baiano, marcado pela politicagem extrema, pelo noticiário tendencioso e pela degradação cultural mais abjeta. E hoje vemos o começo do fim deste túnel, com a Secretaria de Comunicação da Bahia apenas começando a limpar as sujeiras deixadas pela incompetente grande mídia baiana.

No âmbito empresarial, a gafe do Brasil Urgente derruba aquela aura messiânica do jornalismo da Band, ensinando que o jornalista é um ser humano, não um herói a usar a informação como bandeira de salvação da humanidade.

Já no âmbito nacional, a referida gafe se insere num contexto em que outra famosa praticante de gafes imperdoáveis, a revista Veja, está no seu ponto de xeque, com seu jornalista Policarpo Jr. acusado de envolvimento com acordos criminosos junto à quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

Portanto, são escândalos que levam a pensar, e muito, sobre os abusos da grande mídia brasileira. E o quanto o jornalismo não pode estar acima da sociedade, mas a serviço dela, e que toda a mitologia em torno do jornalismo só permite que abusos sejam feitos impunemente, a pretexto de que um jornalista é um "herói" e não um ser humano.

E a sociedade já perdeu muito com essa mitologia que acoberta os erros.

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