segunda-feira, 28 de maio de 2012

O FALSO CONSENSO FORJADO PELA INTELECTUALIDADE


Por Alexandre Figueiredo

A mediocrização cultural brasileira foi fruto de um falso consenso forjado por uma intelectualidade com muita visibilidade e prestígio, mas longe de ser confiável e coerente.

Se aproveitando do discurso sofisticado, esses intelectuais, incluindo sociólogos, cineastas, artistas, atores, críticos musicais, antropólogos, historiadores e outros, desenvolveram uma retórica que transformou a degradação cultural patrocinada por rádios e TVs em uma pretensa vanguarda popular.

Criaram-se pretensos coitadinhos, que, esquecendo que fizeram grande sucesso um dia, reclamam do "não-reconhecimento artístico", acusando aqueles que não os apreciam de "preconceituosos", "invejosos" ou "intolerantes". Esses ídolos não conseguem fazer uma música que preste, ou defender valores sociais relevantes, mas querem fazer parte, de qualquer maneira e sem esforço, da vanguarda cultural brasileira, de preferência vistos também como pretensos "rebeldes revolucionários".

Muitas mentiras e verdadeiras bobagens foram lançadas por esses intelectuais, sob aplausos das plateias deslumbradas e pouco informadas. O poder persuasivo de um Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches ou Ronaldo Lemos se equiparam a verdadeiros espetáculos de hipnotismo, seduzindo as massas com suas visões nem sempre coerentes sobre cultura popular e, ultimamente, são visões até com equívocos bastante grotescos.

Afinal, a pretexto de defenderem as classes populares, eles defendem, na verdade, é o que os executivos e programadores de rádio e TV empurram para o povo consumir. Na verdade, o que está por trás desse discurso "generoso" desses intelectuais divinizados é a perigosa atitude de atribuir à responsabilidade do povo pobre aquilo que, na verdade, é feito sob responsabilidade direta ou indireta dos executivos da grande mídia.

Formou-se um falso consenso, uma suposta unanimidade, e mesmo a aparente indiferença desses intelectuais diante das críticas recebidas - que, por uma questão de protocolo, evitam repetir o tipo de reação dos jornalistas tradicionais da grande mídia - dá à opinião pública a falsa impressão de sabedoria atribuída a esses intelectuais.

Com muita malícia e uma boa conversa, eles defendem a degradação cultural brasileira como se fosse a salvação dos brasileiros, tentando inverter a situação. Para eles, os vilões acabam sendo a MPB esquerdista, os intelectuais dotados de senso crítico, ou todo aquele que lança qualquer questionamento a respeito da "cultura de massa" brasileira.

É estarrecedor por que, com tamanha urubologia, esses intelectuais ainda se acham capazes de influenciar a opinião pública de esquerda. Ainda conseguem arrancar aplausos entusiasmados da plateia em geral, mas da patota progressista a influência dessa intelectualidade festiva já começa a entrar em queda livre.

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