sábado, 26 de maio de 2012

O DESPERDÍCIO DA CINEMATOGRAFIA BREGA


Por Alexandre Figueiredo

Sabemos que a música brega e seus ritmos derivados, que integram a Música de Cabresto Brasileira, contam com um poderoso lobby intelectual. Até mesmo monografias de pós-graduação nas faculdades são usadas como propaganda mal-disfarçada das cafonices que dominam o mercado midiático.

É bastante conhecido que jornalistas e cientistas sociais façam todo seu proselitismo para convencer-nos de que o brega é o máximo e vai salvar a humanidade no país e no mundo. E que toda sorte de argumentos, muitos deles confusos e risíveis - ou choráveis, dependendo do caso - , são escritas em muitas páginas e arquivos "htm".

Mas no cinema esse lobby já fez com que filmes como Os Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira, e Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia, fossem produzidos. Afinal, essa intelectualidade que defende o brega-popularesco se articula como o antigo IPES (o Instituto Millenium dos anos 60), embora seus propósitos soem como um arremedo um tanto caricato dos CPCs da UNE.

E se o IPES tinha seus documentários de cunho ideológico, a intelectualidade pró-brega também conta com seus filmes, ora biografias dramatizadas, ora documentários, também de claro cunho ideológico. O propósito de reciclar o mercadão brega-popularesco sob vernizes mais nobres é bem claro.

Só que perde-se tempo produzindo filmes de ídolos recentes, como Zezé di Camargo & Luciano, Frank Aguiar e Banda Calypso - ou, no âmbito do documentário, os ídolos do "funk carioca" e do tecnobrega - , que podem ter até um tempo de carreira, mas insuficiente para justificar a adaptação de suas carreiras em filmes. Vá lá que se produza um filme sobre Waldick Soriano, mas do jeito que a coisa está ainda teremos um longa-metragem sobre Michel Teló antes da Copa de 2014.

Por outro lado, grandes valores de nossa cultura continuam esquecidos. Nomes como a cantora Sílvia Telles, o versátil Dom Rossé Cavaca - que era humorista, jornalista esportivo, músico, ator e foi pioneiro nas "pegadinhas" da TV, num tempo em que a inteligência sobressaía a qualquer vulgaridade - ou mesmo nomes como Rodrigo de Melo Franco, o fundador do IPHAN, seu primo Afonso Arinos de Melo Franco, que criou a lei contra o racismo, ou então o geógrafo Milton Santos. Nada de biografias, ou quando há algum documentário, é muito pouco divulgado.

E o que dizer dos irmãos Cazarré, Older e Olney - este o famoso dublador brasileiro do Pica-Pau (Woody Woodpecker) e que fez o papel de torcedor de futebol na Escolinha do Professor Raimundo - , de tão grandes contribuições para o cinema e TV brasileiros? E as sumidas e belíssimas Regina Salles do Amaral, do seriado infantil Angelika (1959-1960), da TV Tupi, e Luísa Maranhão, que participou em filmes como Barravento, A Grande Feira e O Assalto ao Trem Pagador, poderiam ter uma cinebiografia.

No entanto, o cinema brasileiro sucumbe ao comercialismo fácil e se limita a ser uma extensão da mesmice midiática. É mais fácil um filme comercial norte-americano transmitir alguma visão crítica do mundo do que um filme aparentemente cult no Brasil.

Dessa forma, nossa cultura não se evolui, as gerações mais recentes continuam privadas de conhecer nossa memória cultural e quem sempre lucrou com os "sucessos populares" do rádio e TV continuam sempre faturando alto.

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