quinta-feira, 3 de maio de 2012

A MISSÃO DE BRIZOLA NETO

Por Alexandre Figueiredo

Empossado hoje, o novo ministro do Trabalho do governo Dilma Rousseff, Brizola Neto (PDT-RJ), é mais um nome ligado à política socialista brasileira a assumir a pasta, com a missão de promover políticas que atendam aos interesses das classes trabalhadoras.

Isso, em si, já deixa a velha grande mídia em prontidão. Ela já começa a partir para cima de Brizola Neto. E até que o Tijolaço que ele fazia, que, por razões de seu trabalho, passou para o jornalista e antigo assessor de Leonel Brizola, Fernando Brito, escrever, nada tem da violência que se vê nos artigos da velha mídia.

Eliane Cantanhede, da Folha de São Paulo, já foi para a frente da fila com pedradas mais dolorosas que os tijolaços do hoje ministro. Ela teve o descaramento de dizer que o Ministério do Trabalho é uma pasta obsoleta, a pretexto de que as relações de trabalho, na visão da "calunista", "evoluíram tanto".

O que ela não sabe é que, independente das relações de trabalho melhorarem consideravelmente ou não, e elas ainda estão longe de estarem nesta condição, o Ministério do Trabalho, do contrário que a "militante" do PSDB no jornal dos Frias pensa, é uma das pastas estratégicas de uma equipe de governo. Afinal, nela estão responsabilidades que se relacionam diretamente com o cotidiano dos cidadãos brasileiros, o que faz da pasta muito mais útil do que a miopia da comentarista quer admitir.

Dá para imaginar o que Veja fará contra Brizola Neto. Mas as pressões midiáticas não são novidade para esse rapaz de 33 anos - cujo nome de batismo é Carlos Daudt Brizola Neto - , porque ele sabe muito bem da experiência do seu tio-avô João Goulart, que, quando inaugurou o ministério em 1953, sofreu tanta pressão que o então presidente Getúlio Vargas - que, para perceber a natureza dessa pressão, se suicidou um ano depois - teve que afastar o amigo e herdeiro político da função, depois que um grupo de coronéis, os mesmos que derrubariam o mesmo Jango em 1964, assinaram um documento contra o aumento salarial de 100% que o então ministro decretou para os trabalhadores.

Jango tinha mais ou menos a mesma faixa etária de Brizola Neto, na ocasião. O que, portanto, não é novidade, porque a forte ligação de Jango, Brizola e seus herdeiros é uma realidade. E Brizola Neto, portanto, está melhor preparado para enfrentar a violenta pressão da mídia, pois, se Jango tinha vários periódicos regionais, uns nacionais e a figura de Carlos Lacerda para pegar pesado contra ele, Brizola Neto hoje tem jornais, revistas, rádios, emissoras de TV e uma relativa multidão de comentaristas políticos reacionários para baterem de frente contra o ministro.

Portanto, será uma missão nada fácil, pois até Veja, mesmo encrencada e desgastada com seus recentes escândalos, está preparada para comprar briga. O último artigo rancoroso de Reinaldo Azevedo, visivelmente furioso, mostra o quanto a revista ainda tem o vigor reacionário em alta, ladrando e mordendo mais do que um cão pitbull.

MENSAGEM NO TIJOLAÇO, QUE SE ENCERRA

Brizola Neto escreveu um artigo no blogue Tijolaço, falando de sua nova condição de ministro. Intitulado "Ser diferente, sendo o mesmo", ele prefere acreditar que não é ministro, mas "está ministro". Reconhece a missão de assumir o ministério com austeridade, para enfrentar o poder das empresas de Comunicação.

Ele afirma também do destaque que alcançou como blogueiro, acrescentando que usava o blogue para divulgar ideias, não necessariamente "atacar" a imprensa. E podemos inferir que a imprensa, como instituição em si, é que anda arranhada com o poderio das empresas de Comunicação e seu costumeiro reacionarismo, capaz de defender medidas antipopulares mas que "favoreçam o mercado".

Brizola Neto também falava de sua atuação transparente como deputado e sua experiência como blogueiro, destacando a franqueza de suas opiniões. E que, com seu texto, ele encerra o blogue, enquanto ele "estiver ministro".

Prometendo uma atuação equilibrada, beneficiando as classes trabalhadoras sem prejudicar as empresariais, Brizola Neto conclui que "riqueza sem equidade é odiosa e equidade sem riqueza é inviável". E que promete uma atuação diferenciada no ministério, se empenhando em ser sempre ele mesmo, como se mostrou no Tijolaço.

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