quinta-feira, 3 de maio de 2012

MÍDIA PÕE TECNOBREGA ONDE O "FUNK" NÃO ALCANÇA


Por Alexandre Figueiredo

O mercado midiático tem dessas manobras. Como o brega-popularesco, embora não represente jamais qualquer riqueza cultural, segue variações no nível ideológico motal, certas tendências bregas, neo-bregas e pós-bregas têm problemas na aceitação do público em certas camadas sociais.

O "funk carioca", antes o carro-chefe de toda a campanha intelectual em defesa da mediocrização cultural, até tentou criar diferentes embalagens, no esforço de atingir o maior número de consumidores possível.

Tinha o "funk comercial", para o grande público, servido sobretudo de "popozudas" e MC's mais "maliciosos". Tinha o "funk de raiz", para um público mais "intelectualizado". Os "proibidões" eram reservados para um público mais "rebelde", o "funk melody" para um público mais "família" e o "funk-exportação", em que DJs tentam "rechear" o "pancadão" com sampleagens mais arrojadas (que o façam competir com os DJs internacionais de música eletrônica), feito para turistas.

Não deu certo. As "variações" não correspondiam necessariamente à suposta e tão alardeada "diversificação musical" do "funk carioca", cujas limitações artísticas, tão grosseiras, saltam aos olhos. O ritmo, depois de apresentar sérias contradições de nível artístico e até ideológico, teve de dividir espaço para o tecnobrega, que virou a bola da vez na grande mídia, com direito a Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará, ter um perfil próprio na revista Caras.

Tanto o "funk carioca" quanto o tecnobrega vendiam a falsa imagem de "movimentos sem-mídia", enquanto por debaixo dos panos faziam parcerias definitivas como as Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Abril, as mesmas temíveis instituições da mídia mais reacionária.

As parcerias incluiam amplo cartaz na Rede Globo e na Ilustrada da Folha, além da condição de arrumar atores e atrizes jovens e emergentes no mercado televisivo para dançarem ao som das músicas de tais estilos. E toda essa parceria com a grande mídia, cujos resultados são exibidos de forma explícita para o grande público, no entanto tentou ser desmentida pelos mesmos beneficiários quando faziam suas palestras para um público mais de esquerda.

Falsos desmentidos à parte, o "funk carioca", sabe-se, se esbaldou na festa da velha grande mídia de tal forma que não foi possível mais esconder seu envolvimento com esta. E, com o desgaste causado por suas limitações, o mercado já começa a tentar o tecnobrega paraense em segmentos sócio-econômicos que o "funk carioca" não conseguiu alcançar de forma efetiva.

Como vantagem, o tecnobrega parece "mais comportado" que o "funk carioca", embora tenha lá suas baixarias. Sua linguagem melódica é verossímil, já que lembra, em muitos momentos, uma Jovem Guarda mais fajuta, o que garante o sucesso do tecnobrega entre o público de maior poder aquisitivo.

Embora, em todo o brega-popularesco, qualquer decadência pode ser (por enquanto) revertida através de um bom investimento financeiro, há casos em que o desgaste é inevitável. Até o ponto em que os empresários do "funk carioca" possam obter retorno financeiro pelo investimento que fazem para promover seus ídolos.

E aí, forja-se até o conflito conjugal entre o ícone do "funk melody" MC Naldo e a Mulher Moranguinho, "separados" para o bem do mercado de ambos. MC Naldo virará "notícia" por nada e sua namorada também, por menos ainda, e poderá vender mais revistas com novas sessões da "mulher-fruta", agora convertida em suposta "solteiríssima".

É como se diz para os desavisados: É o mercado, estúpido!!

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