terça-feira, 1 de maio de 2012

MICHEL TELÓ: A GLOBALIZAÇÃO DO "JABACULÊ"?


Por Alexandre Figueiredo

A escalada do sucesso do cantor breganejo Michel Teló nas paradas de sucesso do mundo inteiro nos põe a pensar: em se tratando de um sucesso meramente comercial, pode significar que o jabaculê praticado no Brasil tenha se expandido para outras partes do mundo.

E, agora, o mercado jabazeiro vende para o mundo o concorrente de Teló no "sertanejo pegação", o cantor Gusttavo Lima, com dois "t" no seu prenome.

Essa questão passou quase despercebida porque o Brasil é o único país em que a música comercial foi difundida como se fosse uma "rebelião socialista", como se comercial nunca fosse.

Nem os ídolos comerciais mais pretensiosos dos EUA, no seu tempo, tinham essa obsessão de serem "a verdadeira cultura" pelo simples motivo de que lotam plateias e chamam mais público. Mas no Brasil esse discurso, pasmem, contaminou até mesmo a comunidade acadêmica, seduzindo docentes e discentes.

Michel Teló nada tem de cultura. Parece crueldade, mas ele não é MPB, porque a sigla não está aí para denominar qualquer lotador de plateias, que no entanto não possui qualquer compromisso em acrescentar algo relevante para nossa cultura. Diluir ritmos populares não é enriquecer a cultura, mas seu contrário: enfraquecê-la pela banalização de linguagens através de fórmulas de mercado.

Por isso o que cresceu em nosso país foi o jabaculê que alimentava a música brega e seus derivados desde seus primórdios. E que são expressão do poderio midiático e econômico dos grandes proprietários do entretenimento brasileiro, gente cheia da grana que se esconde sob o rótulo de "cultura das periferias" e que possui até grandes fazendas e muito gado. Sem falar do povão, que é seu gado "cultural".

O jabaculê que apenas alimentou rádios e TVs até uns quinze anos atrás passou a alimentar também os meios acadêmicos, os sindicatos, as cantinas universitárias, os grêmios estudantis. E agora percorre o mundo inteiro tentando promover seus ídolos como se fossem "atrações mundiais".

O que ocorreu com Michel Teló foi isso. Seus empresários tinham dinheiro suficiente para pagar as rádios, TVs e casas de espetáculos, comprando assim o espaço do cantor. Primeiro criavam factóides às custas de jogadores de futebol e soldados dançarinos. Depois faziam o resto, com o dinheiro que obtém.

Por isso, Michel Teló representa muito menos o povo pobre que o consome do que os ricos empresários que nele investem. Isso já indica o caráter duvidoso do termo "verdadeira cultura popular" para meros lotadores de plateias criados pelo mercado jabazeiro. E mostra o quanto as elites manobram a cultura em nosso país, promovendo a mediocridade e eliminando qualquer espaço que tiver alguma expressão cultural de qualidade.

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