segunda-feira, 28 de maio de 2012

A GLOBO APOIA O BREGA. A FICHA AINDA NÃO CAIU?


Por Alexandre Figueiredo

Há um mito, uma visão errônea que o brega é discriminado pela grande mídia. Visão cheia de equívocos, mas, pasmem, ainda é defendida por muitos, guiados pela intelectualidade que domina os debates culturais de nosso país.

No entanto, não é difícil percebermos o quanto de equivocada tem essa visão. Já dissemos, por exemplo, que os ídolos da música brega e seus derivados não aparecem na grande mídia por uma questão de "invasão rebelde", até porque ninguém da grande mídia se sente incomodado com eles.

Salvo um Marcelo Tas ali - que ficou constrangido quando, na época em que apresentava o Vitrine na TV Cultura, anunciou a presença de Zezé di Camargo & Luciano - e um Arnaldo Jabor acolá (o cineasta-colunista que havia anunciado a "pagodização" do país), toda a grande mídia recebe os bregas de braços abertos. Até a revista Veja.

As Organizações Globo - que antes primava por uma relativa sofisticação - há muito mergulhou de cabeça na música brega. E não é de hoje. Nos anos 80, tinha Michael Sullivan como colaborador musical, quando o "injustiçado" compositor era um chefão absoluto do entretenimento brasileiro. Nos anos 90, lapidou a geração neo-brega de então, como os "sertanejos" e "pagodeiros românticos", convertendo-os numa "MPB de mentirinha" através, sobretudo, de tributos caça-níqueis a antigos nomes da MPB ou a efemérides culturais.

A Globo redesenhou o brega para que este tenha um verniz de "cultura de verdade". E muitos ainda acreditam que a grande mídia nunca esteve por trás disso. E está, de forma mais direta. A Globo, a Folha, a revista Caras, a Veja, todos atuaram numa defesa sutil do brega, de tal forma que não dá para entender por que muitos atribuem à breguice reinante a uma suposta (na verdade inexistente) rebelião popular de esquerda.

O portal G1 publica uma série sobre a "história" do brega. A Rede Globo faz divulgação do brega e do tecnobrega, além da "MPB de mentirinha" de Thiaguinhos, Leonardos, Ivetes e companhia. E a revista do Globo, na edição de ontem, veio com a tal "dança do treme" das festas tecnobregas do Pará.

De repente, o Pará ficou lindo, virou um paraíso, ou melhor, um Pará-iso. Mas, na esquina, há o odor dos cadáveres das vítimas da pistolagem do interior do Estado, que o perfume exagerado do tecnobrega nem de longe consegue esconder. E os latifundiários, como toda elite detentora de poder político e econômico, não estariam isolados da capital paraense, já que toda capital de Estado serve de vitrine política e midiática das oligarquias dominantes.

Além disso, a ideia de que o tecnobrega era discriminado pela mídia grande, a cada dia, mostra-se não mais do que uma grande mentira. Até o grupo Maiorana, do jornal e TV O Liberal (a TV é afiliada da Globo), apoiou o tecnobrega (ou o tecnomelody) desde o começo. O blogueiro progressista Lúcio Flávio Pinto é que nunca gostou de tecnobrega.

Isso é que parte da opinião pública média de esquerda não consegue entender. A Globo, como o resto da velha grande mídia, sempre apoiou o brega, sempre desejou a bregalização do país, porque ela deixa o povo mais submisso. O episódio do "funk carioca" é sintomático disso. Só que, para muitos, a ficha ainda não caiu.

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