quinta-feira, 31 de maio de 2012

"FUNK CARIOCA" E AS MANCADAS DO "PANCADÃO"


Por Alexandre Figueiredo

Já dá para perceber o quanto o "funk carioca" está incomodado com a perda de seu nicho de mercado para o tecnobrega.

Os noticiários policiais, nos últimos dias, registraram a prisão, por tráfico de drogas, do funqueiro MC William do Borel, detido durante uma viagem de ônibus em Curitiba.

William é um dos nomes que transitou do chamado "funk de raiz" ao "proibidão", e existe até um vídeo dele, há quatro anos atrás, num evento promovido pela APAFUNK. O que dá a entender o "compromisso" que os funqueiros têm em relação à cidadania.

Há três anos atrás, eles pregavam a possibilidade de o "funk carioca" ser ensinado nas escolas. Faziam isso com muito alarde e arrancavam aplausos de educadores pouco avisados. Hoje os mesmos "ativistas" funqueiros dizem que o "funk carioca" nunca teve a obrigação de educar as pessoas.

Mas mesmo no "funk carioca" mais "comercial", outra notícia repercutiu, que foi o rumor de que a funqueira Renata Frisson, a Mulher Melão, teria inspirado a personagem Suelen, interpretada por Isis Valverde, na novela Avenida Brasil, da Rede Globo. A declaração teria vindo da própria funqueira, que disse ter trocado mensagens com Isis, que desmente a informação.

A funqueira também declarou que foi "maria-chuteira", ou seja, garota que sente muita atração por jogadores de futebol, o que certamente é um cartão vermelho para os homens legais - de personalidade mais pacata - que ela disse desejar. O que é um alívio, porque homens legais nunca iriam namorar funqueiras, que nunca são mulheres legais.

São apenas dois episódios, duas mancadas do "pancadão", que mostram o quanto o "funk carioca", de sonoridade repetitiva e cansativa e de uma grosseria que constrange até pessoas moralmente mais flexíveis - descontando a intelectualidade etnocêntrica, é claro, porque esta sempre se babou em defesa do gênero - , anda decadente.

A velha mídia corre em consolo, transforma os funqueiros em "figuras polêmicas", numa forma de promover sua popularidade a custa de escândalos ou controvérsias. Mas a ruindade musical e a mediocridade artística já fizeram o "funk carioca" se desgastar, e a melhor forma de romper com o preconceito não é ouvir os delírios sociológico-antropológico-modernistas de seus intelectuais militantes, mas tocando o CD.

O que prova, por A mais B, que a "riqueza artística" do "funk carioca" não passa de uma grande balela.


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