sexta-feira, 4 de maio de 2012

FOLHA DE SÃO PAULO "NÃO ACREDITA" NA CORRUPÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

A Folha de São Paulo publicou uma entrevista com o deputado federal Odair Cunha, do PT mineiro, que deu detalhes sobre a investigação do caso Carlinhos Cachoeira feita pela CPI.

Ele havia falado da possibilidade da mídia ser investigada, o que, para os leitores convencionais da Folha - desconta-se aqueles que leem o jornal com o desconfiômetro acionado - , é uma grande novidade.

Segundo a Folha, Odair havia declarado que "investigar a mídia não é proibido". É como se a mídia gozasse de uma imunidade maior do que qualquer parlamentar, como se o "quarto poder" tivesse sido sagrado e, de repente, veio a "novidade" da corrupção midiática, embora aparentemente a Veja, citada em gravações envolvendo membros do esquema de Carlinhos Cachoeira, não fosse citada.

Na busca do sítio da Folha, notou-se que os dados, enumerados de forma descrescente de 2012 até 2000 que têm as palavras-chave "Roberto" e "Civita" não mostram uma única notícia sobre a possibilidade do dono da Editora Abril depor na CPI.

Claro, Civita é aliado de Otávio Frias Filho, parceiro dele em muitos negócios midiáticos, e companheiros no esforço de "privatizar" a TV Cultura de São Paulo, que já cogitou em fazer com a Veja o mesmo que fez com a Folha, que é a criação de um programa com seus jornalistas.

Do jeito que a Folha de São Paulo descreve, a corrupção midiática parece uma novidade. Logo o jornal que, há 40 anos, ajudou o DOI-CODI e apoiou abertamente a ditadura militar, e que promoveu a "limpeza ideológica" nos anos 80 através do Projeto Folha, em que um padrão de jornalismo asséptico, menos informativo e até com erros gramaticais, consequência da contratação de profissionais segundo o critério de afinidade ideológica e capacidade de manipulação.

Folha de São Paulo não chega a ter o mau humor e o estilo rancoroso de Veja, mas em muitos casos se afina com ela. E alguns articulistas como Eliane Cantanhede chegam a ter o mesmo reacionarismo histérico de um Reinaldo Azevedo, ainda que, no método, se aproximem dos estilos pedantes e pseudo-professorais de Merval Pereira e Miriam Leitão.

Portanto, a cúpula da Folha de São Paulo também está com medo. A velha grande mídia será devassada, mais cedo ou mais tarde. O envolvimento da Veja com o esquema de Carlinhos Cachoeira, confirmado em gravações, indica que Roberto Civita já é um dos mais esperados para depor na CPI. E é bom que ele seja convocado e compareça, a exemplo de Rupert Murdoch no exterior.

Se Civita não comparecer, ainda que seja só para dar desculpas, é porque teme consequências. Não há outro jeito: a velha grande mídia está sendo investigada e muita coisa ainda vai rolar.

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