segunda-feira, 21 de maio de 2012

FERNANDO HENRIQUE E A REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

“Temos hoje uma arquitetura democrática, mas não temos a alma. É uma ideia que ainda está sendo construída. É preciso apoiar mecanismos de regulação que permitam a diversidade”.

A frase acima é do ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, numa postura que causou controvérsia, pelo fato do político e um dos fundadores do PSDB defender a regulação dos meios de comunicação.

A regulação, no entanto, é combatida pela mesma grande mídia que apoia o PSDB e seus políticos - não foi diferente nos dois governos FHC - , que chega ao ponto de defini-la como "censura". Os barões da grande mídia costumam dizer que o ideal é eles se "auto-regularem", o que sempre deu no caos mercantilista de seus abusos.


Mas a "generosa" postura de FHC não parece ser de um nível eminentemente progressista. Afinal, a declaração fica nos enunciados. Tudo parece brilhante quando é citado no lide, no enunciado, no discurso mais genérico.


Se perguntar para pessoas como MC Leonardo, Pedro Alexandre Sanches e Paulo César Araújo se eles querem a regulação da mídia, eles também se posicionarão a favor. Até um Eugênio Arantes Raggi, que escreve nos fóruns de Internet como se fosse um Reinaldo Azevedo tropicalista, também se posicionará a favor.


Todos usariam os mesmos argumentos de "regulação democrática", falando em cidadania e tudo o mais. O grande problema não está na defesa aparente da regulação dos meios de comunicação, até porque a causa poderá virar um modismo tal qual foi a oposição à ditadura militar, há quase 30 anos atrás, que aparentemente contagiou forças conservadoras que antes primavam pela manutenção do regime.


O maior problema está como essa regulação será feita. A tendência dos oportunistas, em que pese a "maravilhosa" postura de defender uma "regulação democrática, com todos os segmentos da sociedade", é tão somente reduzir a regulação midiática aos aspectos pontuais, como tão somente domar o mau-humor reacionário dos comentaristas políticos, ou eliminar aspectos extremos do conteúdo de sexo e violência nas mensagens veiculadas na programação diária de rádios e TVs.

Mas se tão somente nos livraremos apenas de um mau-humor de um Merval Pereira e de uma Eliane Cantanhede, ou se os noticiários da TV aberta se tornarem um cruzamento de telejornais da TV educativa com o noticiário "mundo cão", alternando exibição de popozudas com notícias de projetos educacionais, então quase nada mudará na grande mídia com esse modelo de regulação, praticamente inócuo.


Portanto, o que pode comprometer a regulação midiática não é apenas o fato dela ser combatida pelos barões da grande mídia. A defesa oportunista ou tendenciosa de algumas pessoas pode também representar um entrave, na medida em que impede uma atuação realmente transformadora da mídia. 

Afinal, os oportunistas defendem uma causa nova para sabotá-la, permitindo apenas as mudanças mais superficiais e genéricas. Dessa maneira, "querer fazer" nem sempre está em consonância com o "como fazer". E há quem queira participar de uma festa apenas para puxar o tapete com os demais convidados no salão.

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