segunda-feira, 28 de maio de 2012

A CPI DO SILÊNCIO E SEUS DOIS "DOUTORES" DA PESADA


Por Alexandre Figueiredo

A CPI do caso Carlinhos Cachoeira já começa mal, quando seus convidados a prestar depoimento se recusam a dar informações necessárias sobre os bastidores do maior escândalo político da temporada.

Sabe-se que o escândalo é gravíssimo, não por incluir somente personalidades políticas, mas também pelos braços que o esquema de Cachoeira possui até entre os políticos do PT/PMDB e entre a grande imprensa.

A tão esperada convocação de Carlinhos Cachoeira ocorreu e ele apenas se limitou a dizer que "tinha o direito de permanecer calado". E ainda esperamos para que o empresário Roberto Civita, do Grupo Abril, seja chamado para explicar as ligações da revista Veja no esquema, mas o desânimo do silêncio de outros depoentes, puxado pelo próprio bicheiro goiano, é grande.

Mas outros personagens se destacam no circo da corrupção e da omissão, como os membros do judiciário Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Ambos, portanto, figurões do Poder Judiciário, mas envolvidos em posturas não muito transparentes. A não ser que sejam transparentes feito um telhado de vidro.

Gilmar Mendes demonstra ter envolvimentos políticos que seu cargo não poderia ter, segundo a lei. Ligado ao PSDB e ao DEM, em especial ao senador Demóstenes Torres, então fundador do DEM e hoje sem partido, Gilmar tenta manobrar juridicamente para usar o escândalo do Mensalão para abafar o atual escândalo de Carlinhos Cachoeira.

A revista Veja, que defende Gilmar e é conhecida por suas posturas reacionárias e desonestas - não bastasse, claro, a "cachoeira" que jorra nas suas pautas "investigativas" - , inventou uma pressão do ex-presidente Lula sobre o STF para adiar o julgamento do mensalão e concentrar atenções na CPMI do caso Cachoeira, que Veja já definiu como a "CPI do Fracasso".

Só que fatos mostram que, na verdade, foi Gilmar que pediu um encontro com Lula, preocupado está o ministro do STF pelos efeitos que a CPMI de Cachoeira pode causar.

Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em depoimento à CPMI, disse que arquivou o processo de 2005 que apurava o envolvimento de Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira e o empreiteiro Fernando Cavendish (então chefão da construtora Delta) como uma "estratégia para permitir novas investigações".

O argumento é risível. Afinal, não se arquiva um processo em investigação para permitir novos inquéritos. Antes mantivesse a investigação em curso para ver que desdobramentos poderão ser descobertos. Quando muito, cria-se outras linhas de investigação, mas não se pode acobertar uma investigação para facilitar outras.

Afinal, inquéritos são inquéritos. E se questões e suspeitas não são resolvidas, elas não podem ser deixadas de lado para que outras questões e suspeitas sejam analisadas. Tudo tem que ser analisado. Podem haver contradições, até, mas a declaração de Roberto Gurgel o faz transformar numa figura tão cômica quanto seu sósia Jô Soares.

E o fracasso que parece ter a CPMI de Cachoeira não deve ser atribuído ao inquérito em si, mas àqueles que "tem o direito de permanecer em silêncio". Não fosse isso, a Comissão Parlamentar poderia se tornar uma grande devassa dos bastidores da corrupção política e midiática que ocorre em nosso país.

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