terça-feira, 8 de maio de 2012

CARLINHOS CACHOEIRA E VEJA: "SÃO APENAS BONS AMIGOS"


Por Alexandre Figueiredo

No mundo das celebridades, quando surge um novo casal de namorados, os dois, para evitar qualquer alarde, normalmente costumam dizer que "são apenas bons amigos" e que estão "somente se conhecendo melhor".

É o que os comentaristas políticos da velha grande imprensa parecem estar fazendo, num outro contexto, com as relações entre o diretor de redação da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr., e o grupo do bicheiro goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, inclundo o próprio.

O que esses comentaristas da grande mídia querem nos fazer convencer é que essas relações não são mais do que "pura amizade", que ocorrem "dentro da legalidade democrática" e que "não constituem crime nem corrupção". Chegam a dizer, paranoicos, que Roberto Civita nada tem a ver com Rupert Murdoch, talvez ignorando a amizade que os dois mega-empresários da mídia têm entre si, tão expressiva que o dono da Fox foi convidado por Civita a dar uma palestra num seminário sobre jornalismo patrocinado pelo Grupo Abril, poucos anos atrás.

O que a velha mídia teme, ao adotar tal desculpa de que "não há ilegalidade" nas relações entre Veja e Carlinhos Cachoeira, é inundação de escândalos que praticamente derrubará muitos figurões da velha mídia, ameaçando a reputação de Rupert, ou melhor, Roberto Civita, e até mesmo pode tirar a revista Veja de circulação, numa decadência muito mais humilhante que a antiga revista O Cruzeiro, que naufragou pela corrupção e pelas brigas internas do "condomínio" dos Diários Associados.

Imagine Veja sair de circulação, ter um fim humilhante, ser extinta sob vaias e a famosa frase "já vai tarde" dita e escrita por muitos. No âmbito da música, nem mesmo a extinção da revista Geração Pop, ou Pop, deixando uma lacuna preenchida depois pela Bizz, foi tão humilhante. E nem mesmo o desaparecimento da Bizz em duas vezes, por conta de jornalistas culturais de crédito duvidoso, como André Forastieri e Carlos Eduardo Miranda, pode ser comparado a uma possível extinção de Veja.

Pois Miranda e Forastieri são moleques, se comparado ao que um Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi fazem. Embora, no fundo a iconoclastia daqueles e a urubologia destes deixem efeitos igualmente nocivos, os primeiros no âmbito da cultura e os segundos no âmbito da política, há que se preocupar com os dois últimos de certa forma, na blindagem que fazem da corrupção midiática que é trazida à luz, a partir de reportagens da Carta Capital e Rede Record (através da brilhante turma de Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Vianna e outros).

Mainardi, por sua vez, anda "queimado", mas ele, mesmo vivendo no exterior, ainda dá seus pitacos no Manhattan Connection, embora apareça de vez em quando na escandalosa revista onde, em outros tempos, publicava seus escandalosos artigos.

Pois a mídia vai querer defender a "amizade" de Veja com Cachoeira como se fosse uma reunião de amigos, sem qualquer outra finalidade senão a de um bom bate-papo. Pois vá entender que seja um "simples bate-papo" na negociação de Demóstenes e Cachoeira com Policarpo Jr. para derrubar equipes ministeriais através do denuncismo de Veja e suas "reportagens investigativas" bastante tendenciosas.

E essa "doce amizade" não é de hoje. Há sete anos, conforme revela reportagem da Record, Demóstenes e Cachoeira queriam driblar a fiscalização da Anvisa para favorecer uma empresa de produtos farmacêuticos, a Vitapan, da qual o bicheiro é um dos donos. A negociação chega ao ponto de querer cooptar um professor da Universidade Federal de Santa Catarina para participar do esquema.

Carlinhos Cachoeira teria contribuído em muitas reportagens da revista Veja, várias delas tendo sido capas de suas edições, usando Policarpo Jr. como intermediário e contando com o claro sinal verde de Roberto Civita, e a influência do bicheiro se deu até mesmo no caso da invasão do quarto de um hotel em que estava hospedado José Dirceu, motivada depois da divulgação de imagens filmadas pelo policial Jairo Martins, um espião do bicheiro.

A invasão se deu fora de qualquer princípio de ética jornalística, que estabelece limites relativos à privacidade. E que se compara com os paparazzi que perturbam a vida particular dos famosos, fotografando-os a qualquer custo, tudo pelo sensacionalismo e pela obsessão de cumprir um tipo "selvagem" de jornalismo, que tudo tem de mercadológico e nada de ético.

Pois será que tais fatos são realmente saudáveis demonstrações de uma amizade feita dentro dos limites da legalidade democrática? Não, evidentemente. Mas a Veja, sendo um veículo encrenqueiro mas muito influente na velha grande mídia - até pouco tempo atrás, suas "reportagens" eram previamente divulgadas nos telejornais da TV aberta e até na Globo News - , está numa situação bastante delicada, e nada como o reacionarismo explícito da urubologia reinante para tentar salvar a reputação do decadente periódico.

Mas a blindagem, nervosamente defendida por gente como Eliane Cantanhede, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão e outros só expõe o medo da velha grande mídia de ter um dos mais poderosos empresários, o italiano naturalizado brasileiro Roberto Civita, ser convocado a depor e ser investigado pela CPMI. Se isso ocorrer, será o começo de uma grande devassa na velha grande mídia, na medida em que novos fatos possam vir à luz das investigações. E aí poderá significar o fim de um grande ciclo de poder e hegemonia da História do Brasil.

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