terça-feira, 22 de maio de 2012

BETO BARBOSA E A POSE DE "INJUSTIÇADOS" DOS BREGAS


Por Alexandre Figueiredo

Na música brega, existem dois grandes tipos de ídolos. Os que fazem muito sucesso e são tidos como "sofisticados" e os que lutam para recuperar o antigo sucesso e são tidos como "malditos".

Da safra dos anos 90, que hoje está a espera de uma onda nostálgica para a década, os que fazem parte do primeiro grupo são cantores como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Belo e Leonardo (da finada dupla Leandro & Leonardo).

Já do segundo grupo estão o cantor Leandro Lehart (ex-Art Popular), o Grupo Molejo, o Kaoma (cujos direitos de uso do nome, criado por produtores franceses, foram comprados por um empresário nordestino) e o ídolo da lambada, Beto Barbosa.

Numa entrevista dada ao portal G1, Beto Barbosa repete o pretensiosismo e a pose de pretenso injustiçado tão comum nos bregas desse segundo tipo, o daqueles que fizeram sucesso um dia e hoje parece que ignoram isso, atitude que também se vê em nomes como Odair José, Michael Sullivan e Amado Batista.

No meio do caminho, ainda vemos a dupla central da Banda Calypso, o casal Joelma e Chimbinha, adotando a pose de "injustiçados", como Leandro Lehart, e fazendo sucesso como Belo e Leonardo. E hoje a Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará, depois de posar de "sem mídia", está toda à vontade nos corredores da Rede Globo.

Beto achou "estranho" ser considerado ídolo brega, se acha um ídolo cult e compara a lambada à Bossa Nova, numa completa demonstração de pretensiosismo. Sendo o "Michel Teló" do seu tempo, Beto apenas foi um fenômeno de mídia. Musicalmente, não foi diferente ao que Carlos Santos, também paraense, fazia nos anos 70 e 80.

Era tendência do brega paraense a diluição de ritmos caribenhos em discos mal mixados, canções mal feitas, que apenas pegavam no ritmo, como todo pop dançante de caráter estritamente comercial. E, além disso, a lambada apenas é uma deturpação de ritmos genuínos como a juju music, o zouk, o carimbó, as guitarradas, já apropriados pelo comercialismo musical daquele Estado nortista.

A mediocrização cultural brasileira, que, nunca devemos esquecer, foi feita com o mais explícito e escancarado apoio da velha grande mídia, tenta vender a falsa imagem de "sem mídia" e "anti-mercado". Agora está "sem gravadora" e lança suas músicas "primeiro na Internet".

E o entretenimento puramente comercial constrói sua hegemonia absoluta tentando se confundir com cultura, enquanto expulsa as verdadeiras expressões culturais, que primam pela qualidade artística, de seus próprios espaços.

A velha mídia vende, para a música brega e seus derivados, a falsa imagem de "vanguarda incompreendida", se aproveitando da desinformação geral das pessoas. E ainda por cima conta com uma poderosa blindagem da intelectualidade etnocêntrica, aquela que possui o monopólio da visibilidade e dos tais "microfones abertos".

Dessa forma, é fácil posar de injustiçado. Faz-se uma coisa qualquer nota, que vira sucesso estrondoso durante um tempo, e depois que a onda passou seus ídolos ainda se atrevem a posar de "malditos". Pretensiosismo pior que esse não há.


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