segunda-feira, 21 de maio de 2012

AS INTERLIGAÇÕES DE CARLINHOS CACHOEIRA


Por Alexandre Figueiredo

A CPI de Carlinhos Cachoeira até agora não atingiu os personagens mais esperados. O principal acusado, o bicheiro goiano, até agora teve sua convocação para depor adiada, enquanto as investigações se limitam apenas a atingir os políticos Demóstenes Torres e Marconi Perillo, respectivamente senador e governador de Goiás.

Mas sabemos que a revista Veja está dentro desse escândalo, sobretudo na pessoa de Policarpo Jr., o chefe de redação da sucursal de Veja em Brasília, muito amigo do bando de Carlinhos Cachoeira, inclusive do próprio. E tudo isso com o claro consentimento de Roberto Civita, o filho de Victor Civita que hoje conduz aristocraticamente o Grupo Abril.

Teme-se que as convocações possam render revelações sérias sobre a mídia. E, se já existe blindagem em torno de Sérgio Cabral Filho, dada pelo membro da "banda podre" do PT, Cândido Vaccareza, também cotado a depor na CPI, a velha mídia também garante sua blindagem, sobretudo a Policarpo e Civita.

Mas há o temor também de que Cachoeira, chamado a depor, "entregue" mais gente ainda, o que pode causar um grande efeito dominó na investigação dos escândalos e derrubar muita gente que se prepara estrategicamente para se exibir aos dirigentes esportivos e autoridades estrangeiros durante a Copa de 2014.

Afinal, as interligações, se podem chegar aos pés da grande mídia, também podem chegar às pistas da mobilidade urbana, uma vez que Carlinhos Cachoeira tem boas relações com Fernando Cavendish, o empreiteiro que comandava, até pouco tempo atrás, a Construtora Delta, que participava do consórcio de reformas do Maracanã e também tem boas relações com Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes.

Mas possíveis braços paranaenses de Carlinhos Cachoeira, por indicação de seu colaborador Lenine Araújo e do ex-vereador de Anápolis, poderiam se dar através de Amin Hannouche, do PP de Cornélio Procópio, município do interior paranaense. Hannouche é ligado a Beto Richa, de quem pretende ser candidato a vice-governador em 2014.

Beto Richa, filho da "raposa velha" paranaense José Richa, por sua vez, possui excelentes relações com Jaime Lerner, mentor de um projeto de "mobilidade urbana" que, apesar de ser vendido como "moderno", vem dos tempos da ditadura militar, do auge do "milagre brasileiro". E Beto Richa havia nomeado um cunhado de Lerner, Henrique Naigeboren (ex-conselheiro do Tribunal de Contas), para um cargo administrativo na ParanáPrevidência.

Sem chegar a conclusões, isso pode ser apenas uma teia de informações interligadas, um emaranhado de dados aparentemente isolados. Mas se for realmente um sistema integrado, pode ser que role BRT não só nas pistas exclusivas, mas também em certas cachoeiras...

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