segunda-feira, 30 de abril de 2012

POLICARPO, PERILLO, MERVAL E SUAS TRAPALHADAS

Por Alexandre Figueiredo

A velha grande mídia está apreensiva, sabemos. A CPI do caso Cachoeira avança e há denúncias de envolvimento de conhecidos barões midiáticos com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Por outro lado, há de se acrescentar também os fortes indícios de envolvimento do grupo político e a equipe do governador fluminense Sérgio Cabral Filho com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Construtora Delta, também conhecida por suas ligações com o bicheiro goiano.

Como as denúncias diversas se tornaram muito evidentes, a mídia agora têm que optar para "livrar-se" do senador Demóstenes Torres, como alguém que, vendo que um anel que tanto gostava anda apertando demais seu dedo, decide jogá-lo fora. Pelo menos seus barões midiáticos estão tranquilos, tal qual seus porta-vozes do noticiário político: Demóstenes já não faz parte do DEM, portanto não vai mais manchar a imagem do partido, segundo o raciocínio dessas agremiações midiáticas.

Gravações divulgadas pela Polícia Federal mostram vários episódios que envolvem gente da grande mídia e do demotucanato. O governador goiano, Marconi Perillo, que acha "um absurdo" as acusações de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, aparece, numa gravação, chamando o bicheiro de "liderança" numa mensagem de saudação pelo aniversário deste. Já o jornalista de Veja, Policarpo Júnior, foi citado como um intermediário para a campanha que o grupo de Cachoeira queria fazer contra seus adversários.

A Veja ainda não aparece nos noticiários da grande mídia, que se limita a citar apenas os políticos envolvidos. Mas, nos bastidores da velha mídia, rola um clima de medo, de muito pavor. Principalmente nas redações de Veja. E os comentaristas em geral, como Reinaldo Azevedo da Veja e Merval Pereira de O Globo, agora arrumaram como bode expiatório o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, apenas porque dois homens de seu governo, Cláudio Monteiro e Marcello Lopez, seriam acusados de envolvimento em negociações com Carlinhos Cachoeira, ainda não comprovadas pelo inquérito policial.

Nota-se, tanto nos artigos recentes de Reinaldo quanto de Merval, uma certa irritação e desespero. Afinal, são grandes as chances de convocação para depor na CPI um conhecido empresário da grande mídia, Roberto Civita, amigo dos irmãos Marinho e de Otávio Frias Filho, todos descendentes dos antigos barões midiáticos que orquestraram o golpe de 1964.

Reinaldo parte para cima de Leonardo Attuch, blogueiro do Brasil 247, que divulgou em primeira mão a informação da ligação de Veja com Carlinhos Cachoeira. E, irritado, o "calunista" de Veja ironizou as acusações da blogosfera progressista de que a grande imprensa brasileira seria "sensacionalista", nos seguintes termos: "Se a grande imprensa brasileira quisesse ser sensacionalista, seria a maior — e melhor — imprensa sensacionalista do mundo".

No entanto, Reinaldo jura que a reacionária imprensa brasileira é "generosa, tolerante e paciente". E ainda diz, no seu irritado artigo (nota-se a irritação da primeira à última linha), que a imprensa brasileira é a menos sensacionalista do mundo. E olha que não falamos só no sensacionalismo da "mídia gorda" propriamente dita. A "mídia boazinha" (Band, Record, Isto É) também é afeita a eventuais surtos sensacionalistas.

Já Merval tenta "separar" a amizade e os conchavos políticos, dizendo que as relações de Veja com Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tinham de "ilícitas" e tentou defender Policarpo Júnior como se fosse um "jornalista transparente". Merval tenta ser "elegante" e "pomposo" em mais um de seus pedantes artigos, mas não deixa de exprimir o mesmo reacionarismo nervoso do irritadiço Reinaldo Azevedo.

No fim, todos mostram um ponto em comum. Sejam os políticos demotucanos, sejam os barões da mídia e seus porta-vozes na imprensa. Eles andam com medo de que encerre um ciclo em que eles detinham o poder absoluto, quando não havia Internet para neutralizar o monopólio ideológico da grande mídia, e quando a tecnocracia política detinha o monopólio decisivo.

Ainda vai rolar muita coisa na CPI do caso Cachoeira. A mídia tenta se mobilizar para evitar a convocação de Roberto Civita. Mas isso representará uma lacuna que favorecerá o poderio da velha mídia, que descansará no seu leito de fera ferida mantendo seu poderio intato. Espera-se que o Congresso Nacional não aceite tais pressões e coloque mesmo o sr. Civita para depor, nem que isso represente a derrubada da "sagrada árvore" do Grupo Abril. Ou pelo menos de sua "folhinha" mais querida, a Veja.

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