quinta-feira, 26 de abril de 2012

O PSEUDO-ESQUERDISMO TENDE A ENFRAQUECER


Por Alexandre Figueiredo

Fenômeno nos últimos anos, o pseudo-esquerdismo parece que anda enfraquecendo muito. O reacionarismo, sobretudo juvenil, pintado sob o verniz falsamente progressista, aos poucos deixa cair a máscara e, na Internet, o direitismo enrustido de muitos deles começa a se aflorar, até de forma explícita e escancarada.

É de surpreender que é justamente nas chamadas redes sociais da Internet, no Brasil, que se formaram redutos do mais puro reacionarismo digital, muitas vezes sob a prática "inocente" e "sem ideologias" da trolagem.

Na trolagem, pessoas que no futuro poderiam se equivaler a Jair Bolsonaro, Demóstenes Torres, Bóris Casoy, Eliane Cantanhede e Reinaldo Azevedo despejavam seus palavrões, seus desaforos, suas chantagens e ameaças na rede, para defender o "estabelecido" na mídia, na política e no mercado.

Às vezes se viam comentários pedantes e irritadiços de alguns "esclarecidos", em outras se viam gracejos e humilhações gratuitas de alguns não menos nervosos, mas que usam de forma cínica e violenta seu senso de humor para humilhar o discordante de plantão. Principalmente quando soltam o antipático "Huahuahuahuah". Quando desmascarados, se limitam a reagir, jocosamente, dizendo "Oia!".

Mas o pseudo-esquerdismo também envolvia intelectuais que defendiam os mecanismos mercadológicos da "cultura de massa" sob o pretexto de estarem promovendo a rebelião das classes populares. Ou políticos que adotavam medidas antipopulares sob o pretexto de "atender à população, que apenas sofrerá alguns (sic) sacrifícios".

EFEITO LULA

O que havia motivado essa adesão ao pseudo-esquerdismo de gente que, se vivesse em 1964, se posicionaria inevitavelmente a favor do golpe militar contra João Goulart, é o chamado "efeito Lula", ou seja, na carona do carisma midiático do então presidente Luís Inácio Lula da Silva.

De temperamento bonachão e cujo governo realizou proezas econômicas importantes, Lula está longe de ser o paradigma perfeito ou mesmo realista do líder esquerdista, mas era o que tinha, para o grande público brasileiro, maior visibilidade para representar a visão de esquerdismo que, por mais equivocada que seja, havia se difundido largamente naqueles idos de 2002-2006.

Quem não queria estar ao lado do ex-operário bonachão e simpático? Como pombos voando sobre o milho, o pseudo-esquerdismo teve de tudo: de professor mineiro reacionário que virou "petista" para agradar sua esposa até o jornalista cultural da mídia golpista que se infiltrou na imprensa de esquerda.

Tudo isso fora a "nação troleira" que, com seu ultra-reacionarismo digital, sempre arrumava uma desculpa, nem que seja uma frase tipo "Deixa de ser besta!", para explicar seu "esquerdismo de resultados". Um "esquerdismo", diga-se de passagem, extremamente esquizofrênico, mas defendido com unhas e dentes durante todo esse tempo em que o "efeito Lula" inspirava o pseudo-esquerdismo então vigente, que dava a falsa impressão de transformar o Brasil no "maior país socialista das Américas".

A "revoada" de pseudo-esquerdistas de repente poderia até se auto-proclamar "marxista" sem ter lido uma linha da obra de Karl Marx, e juntava sua pretensa simpatia a Che Guevara (muito fácil, pelo fato deste estar morto) à pretensa simpatia por gente como Lula e Fidel Castro. Isso quando, nas suas crenças, ainda existiam conceitos neoliberais e pragmatismos nada progressistas sobre diversos ramos da vida humana.

Até mesmo "canais" como a Rede Record (em que pese abrigar jornalistas realmente de esquerda) e o PMDB (e outros partidos satélites como PP, PRB e PR) serviam como "portas dos fundos" da "fauna" pseudo-esquerdista.

Esse pessoal, em muitos casos, até exagerava na falsa ojeriza à Rede Globo para fazer comentários hipócritas contra a emissora que, no fundo, esses pseudo-esquerdistas defendem intransigentemente. Mas que tinham que dizer que odiavam para impressionar os amigos que esse pessoal desejava conquistar na Internet ou nos círculos sociais de seu meio.

POR QUE MUDOU?

De repente, o pseudo-esquerdismo recuou, depois do auge de "todo mundo" apoiar a candidatura de Dilma Rousseff. Passada a festa eleitoral, e empossada a presidenta, seu governo logo se mostrou ainda menos acertado do que o de Lula. Além disso, Dilma não possui o mesmo carisma do antigo torneiro mecânico. Isso fez com que os reacionários e conservadores enrustidos não se preocupassem mais em se passar por "simpáticos à causa esquerdista".

Isso se deu quando, em muitas circunstâncias, intelectuais, políticos, celebridades e barões da mídia regional eram desmascarados quando contradiziam posturas aparentemente de esquerda com procedimentos dignos dos direitistas mais histéricos. De Mário Kertèsz a Jair Bolsonaro, passando por Eugênio Raggi, a queda de máscara revelou gente tão conservadora quanto qualquer articulista de Veja.

Na trolagem, os antigos pseudo-esquerdistas agora se preocupam em xingar seus discordantes de "comunistas", "petistas" ou "psolistas", conforme o caso. O direitismo, antes dissimulado e desmentido, passa a ser admitido, se não de forma explícita, mas de um modo menos envergonhado.

Além disso, com as críticas que muita gente, mesmo de esquerda, são feitas contra o governo Dilma, cuja prometida ousadia não se deu, costura-se uma "nova direita", sem os excessos e erros da turma do PSDB, DEM e PPS. Até agora não se sabe se ela dará com o PSD de Gilberto Kassab ou por alguma debandada do PMDB do grupo esquerdista, ou por qualquer fato novo que ouver no âmbito sócio-político.

Uma coisa se sabe: o teatrinho da pseudo-esquerda deixou de fazer sentido. Agora, seus personagens aguardam o sinal verde para defenderem o "novo direitismo" que tanto sonharam ter e que já está em andamento nos bastidores da política e da mídia.

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